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Já faz mais de um ano e meio que escrevi sobre os fatos lamentáveis que ocorreram no último dia do BRM do OpenXML, quando a delegação brasileira foi impedida pelo coordenador da reunião (Alex Brown) de apresentar uma importante proposta que tratava do mapeamento dos documentos binários (legado) para o OpenXML.De forma resumida, a Microsoft alegou durante todo o processo do OpenXML na ISO, que a especificação era necessária, pois tinha sido baseada nos documentos binários, e por isso ela permitia uma tradução fiel destes documentos já existentes para o novo formato, garantindo assim o “resgate” das informações.

Durante o segundo dia do BRM, surgiu uma discussão sobre a divisão da especificação em múltiplas partes, e a discussão e responsabilidade de elaborar uma proposta sobre o tema ficou a cargo de um grupo de delegações (EUA e Brasil inclusos). Como saímos do Brasil com uma lista de assuntos que deveríamos tratar e um deles era o mapeamento dos documentos legados, entendemos que seria uma boa oportunidade para apresentar esta proposta e por isso, iniciamos uma conversa com a delegação norte americana (e com mais algumas outras) para ver o que pensavam sobre nossa proposta. Todos com quem conversei consideravam-na muito importante e por isso, colocamos a mão na massa e começamos a trabalhar na lapidação dela, para ser apresentada em conjunto com a delegação norte americana, pois eles consideravam que nossa proposta complementava a deles (nova divisão da especificação).

A principal justificativa que sustentava nossa proposta, era que este documento de mapeamento permitiria o desenvolvimento de aplicações para a conversão fiel dos documentos por qualquer desenvolvedor de software. Esta abordagem e a proposta que elaboramos contava com o apoio de diversos países, que tiveram acesso a proposta no quarto dia do BRM (postamos uma apresentação com os detalhes propostos no repositório de documentos que foi utilizado durante a reunião, que era constantemente visitado por todas as delegações). Passamos a noite do terceiro dia praticamente em claro, trabalhando nesta proposta.

Com a proposta devidamente transferida para o repositório de documentos, e portanto acessível a todos os participantes do BRM, o Deivi aproveitou o primeiro coffee break do quarto dia para ir conversar com o Alex Brown e pedir a ele a oportunidade para apresentarmos nossa proposta, pois gostaríamos de garantir que ela seria apresentada. O Alex Brown lhe disse que deveríamos procurar a delegação norte americana, pois entendia que nossa proposta se relacionava com a proposta deles, e após uma conversa com um delegado e o chefe da delegação norte americana, acordamos que eles iriam apresentar a proposta de eles e em seguida nos passar a palavra para a apresentação da nossa, que era complementar.

A dinâmica da reunião foi feita de tal forma que rodadas de apresentação de propostas pelos países (não completamos sequer 3 rodadas), se intercalava com rodadas de atualização dos trabalhos que estavam sendo feitos em paralelo (como a proposta de divisão da especificação).

Durante o quarto dia, conversei com delegados de diversos países que tinham lido nossa proposta e queriam manifestar apoio a ela. Seria um debate muito interessante e importante para a reunião, e para garantir que iriamos mesmo ter a palavra, eu fui conversar pessoalmente com o Alex Brown na tarde de quinta feira sobre nossa proposta. Ele me disse que sabia o que queríamos apresentar, que entendia a importância do tema e que teríamos a nossa oportunidade. O dia terminou sem que pudéssemos falar, mas nos confortava o fato de que no dia seguinte (último dia do BRM), a delegação norte americana finalmente apresentaria a proposta deles e em seguida nos chamaria para complementa-la com a nossa.

O último dia do BRM começa com um backlog gigantesco de coisas para serem finalizadas, e foi uma manhã de muito trabalho. Pelo andamento dos trabalhos, começamos a ficar muito preocupados, e o que nos deixou mais tranquilos foi o fato de que a apresentação da delegação norte americana seria feita logo após o almoço. Quando a reunião foi interrompida para o almoço aconteceu um fato que para mim explica tudo sobre o OpenXML.

Um membro da delegação do Canadá, que também é membro do ECMA, veio até onde eu e o Deivi estávamos na sala, dizendo que queria conversar conosco. Ele estava extremamente nervoso e desconfortável, e iniciou sua conversa nos pedindo para que não apresentássemos a proposta sobre o mapeamento binário, pois o ECMA não tinha tal documento e o mapeamento não havia sido estudado por lá. Nos disse que a Microsoft era a responsável pela afirmação de “compatibilidade com o legado” e que se nós quiséssemos mesmo ter acesso ao documento, ele poderia nos ajudar a conversar com a Microsoft. Encerrou seu apelo nos pedindo para não fazermos tal pedido para o ECMA em público, insistindo para procurarmos a Microsoft. Enquanto tínhamos esta conversa, reparei que no fundo da sala estavam diversos funcionários da Microsoft e membros do ECMA nos observando com muita atenção e quando perceberam que eu tinha prestado atenção a este detalhe, dissimularam (foi uma cena ridícula).

O Deivi aproveitou a oportunidade para perguntar uma série de outras coisas a ele, como a suposta “garantia” de acesso ao legado e nenhuma das respostas era, nem de longe aceitável. Para encerrar a conversa, eu disse ao delegado canadense que sim, poderíamos atender seu pedido, desde que ele fizesse uma coisa: Criasse uma máquina do tempo, voltasse ao tempo do início das discussões no Brasil e dissesse ali, aos membros do nosso comitê (ABNT) que o mapeamento do legado jamais havia sido analisado e que portanto a suposta “compatibilidade com o legado” não passava de um artifício de marketing. Isso nos pouparia mais de um ano de trabalho, pois sem a “compatibilidade com o legado” o OpenXML nada mais é do que um overlap total do ODF (e portanto nosso voto seria decidido muito mais rápido). Se ele não pudesse atender a este pedido, nós sentíamos muito, mas iriamos apresentar a nossa proposta.

Ao término da conversa, fomos convidados para almoçar com Jean Paoli (Microsoft), convite feito pelo nosso membro da delegação que é funcionário da empresa (Gebara). O restaurante estava um caos, e nossa comida não chegava nunca. Isso nos forçou a cancelar o pedido e voltar (de estômago vazio) para a parte final da reunião. Na correria, não tivemos também oportunidade de conversar direito sobre a absurda proposta feita pelo ECMA. Eu estava nervoso e com fome.

Quando chegamos de volta na sala de reunião, a delegação dos EUA já estava iniciando a sua apresentação e nos preparamos então para fazer nossa apresentação. Quem apresentava pela delegação norte americana era Peter Lord, e ao término da sua apresentação ele convidou a delegação brasileira para apresentar nossa proposta, explicando que ela era complementar a proposta apresentada por eles. Eu já estava me levantando com o notebook na mão quando o Alex Brown não permitiu, dizendo que nossa proposta tratava de outro assunto e que precisaríamos dar prosseguimento á reunião, seguindo a ordem do dia. Diversos países protestaram, pois queriam ouvir nossa proposta, mas foram sumariamente ignorados. Foi aberta a votação e a proposta norte americana foi aprovada. Seguir a ordem do dia significava que teríamos, em tese, ainda uma oportunidade para apresentar nossa proposta.

Durante o último coffe break do BRM, conversei com muitos delegados que estavam realmente preocupados em garantir nossa oportunidade de falar, e mostravam ainda sua intenção de apoiar nosso pleito.

A cada intervalo de discussão na parte final da reunião, alguma delegação se manifestava dizendo que queria ouvir a proposta brasileira (e era apoiada pelas demais). Quando estávamos muito perto do final da reunião, o Deivi pede a palavra e insiste mais uma vez no nosso pedido e desta vez o Alex Brown nos diz que infelizmente não temos mais tempo. Seguiu-se então uma rodada intensa de protestos de diversos países (um dos chefes de delegação presentes chegou a dizer que trabalha há décadas em normalização e que nunca viu um absurdo desse dentro da ISO). A indignação foi crescendo e gerou até um sério bate boca entre o Alex Brown e o chefe da delegação canadense (que nem de longe deve imaginar a proposta que seu colega nos fez, em nome do ECMA).

O resultado final é que não pudemos apresentar nossa proposta, e o mundo todo perdeu a oportunidade de ouvir, da boca dos delegados do ECMA a frase:

“Nós não estudamos a compatibilidade do OpenXML com o formato binário legado”.

Alguém aí tem alguma dúvida sobre o resultado final da votação, caso esta discussão tivesse ocorrido ?

Até onde o delegado do ECMA iria, caso nós considerássemos a possibilidade de “negociar” com ele ?

Por que o Alex Brown, mesmo sabendo da importância do tema, manipulou vergonhosamente a reunião para impedir que o Brasil apresentasse a proposta ?

Acho que muitas destas perguntas ficarão sem resposta, mas eu realmente gostaria de entender o que motivou o Alex Brown a alterar de forma tão escandalosa o rumo (e o resultado final) da avaliação do OpenXML na ISO.

Desde que esta reunião terminou em Genebra, eu não passei sequer um dia da minha vida sem me perguntar: O que teria acontecido se tivéssemos apresentado a nossa proposta, e o que levou o Alex Brown a manipular de tal forma aquela reunião ?

Agora que todos conhecem “os bastidores” da decisão tomada pelo Alex Brown de não deixar o Brasil apresentar a proposta do mapeamento de binários no último dia, mais alguns comentários são pertinentes.

Revendo tudo o que aconteceu durante o BRM, fica evidente a manipulação do andamento da reunião pelo Alex Brown, que ali foi o responsável por fazer cumprir uma agenda oculta da reunião. Basta uma simples busca em seu blog, em suas “contribuições” para o OpenXML na ISO e sua relação com o ECMA (e com seus membros), que vai ficar evidente a íntima relação que ele tem com o OpenXML (e isso é o mínimo que posso escrever sobre o tema).

Um exemplo de tal manipulação da agenda da reunião é bem claro e evidente: A delegação do ECMA (que até onde me lembro não é um National Body) teve 30 minutos em cada um dos dois primeiros dias do BRM para fazer discursos sobre “compatibilidade com o legado”. Ou seja, a delegação Brasileira, que representa um National Body, não pode falar por falta de tempo, mas o ECMA teve assegurados 30 minutos em cada um dos dois primeiros dias de reunião para fazer seu discurso. Esta palhaçada só não continuou pois no final do segundo dia foi realizada uma reunião do Alex Brown com os chefes das delegações e o Deivi (chefe da delegação brasileira) apresentou um protesto contra estes discursos do ECMA.

Falando nos discursos do ECMA, um deles foi proferido por uma representante da “British Library”, e menciono este fato pois tenho a impressão de que a tríade “British Library”, Alex Brown e Microsoft talvez acenda algumas luzes para meus amigos da Inglaterra (e eu adoraria saber o que eles tem a falar sobre isso).

“Não tenho dúvida alguma de que todo o BRM foi um grande circo, manipulado pela dupla ECMA/Microsoft para atingir seus objetivos e o mestre de cerimônia deles no picadeiro se chama Alex Brown.”

Se algum outro delegado que estava naquela sala se lembrar de algum detalhe adicional que complemente o que acabo de relatar, por favor publique-o nos comentários.

Precisamos passar esta história a limpo e como prometi anteriormente, já que não tive resultado cobrando as instituições, quero agora ouvir a explicação diretamente das pessoas. Alex Brown é o primeiro (e achei interessante que ele me acusou de ser “mais uma vez parcial” outro dia em seu blog… que acusação vocês acham que eu poderia, ou deveria, fazer contra ele ?).

UPDATE: Um debate muito interessante está sendo feito nos comentários do post em inglês (com participação especial do Alex Brown).

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Ha sido más de un año y medio que escribí sobre los lamentables acontecimientos ocurridos en los últimos días del BRM, cuando la delegación brasileña fue impedida por el coordinador de la reunión (Alex Brown) de presentar una importante propuesta acerca del mapeo de los documentos binarios (legado) para el OpenXML.En resumen, Microsoft alegó durante todo el proceso de OpenXML en ISO, que el OpenXML era necesario por que se había basado en los formatos de los documentos binarios existentes, y eso permitía una fiel traducción de los documentos existentes al nuevo formato, garantizando el “rescate” de la información.

Durante el segundo día del BRM, hubo una discusión acerca de la división de la especificación en varias partes, y la discusión y la responsabilidad de preparar una propuesta sobre este tema fue atribuida a un grupo de delegaciones (EE.UU. y Brasil inclusos). Salimos de Brasil con una lista de cosas que deberíamos tratar en el BRM, y una de ellas fue el mapeo de los documentos legados, y con la formación del grupo, creemos que sería una buena oportunidad para presentar esta propuesta, y por eso empezamos una conversación con la delegación de EE.UU. (y algunos otros países) para ver lo que pensaban acerca de nuestra propuesta. Toda la gente con quién hablamos consideraba nuestra propuesta muy importante y por eso empezamos a trabajar en su refinamiento, para ser presentada junto con la propuesta de la delegación estadounidense, porque ellos consideraban que nuestra propuesta complementaria la de ellos (la nueva división de especificación).

La principal razón que soportaba nuestra propuesta era que este mapeo entre los formatos permitiría el desarrollo de aplicaciones para la conversión fiel de los documentos legados por cualquier desarrollador de software. Este entendimiento y la propuesta que hemos desarrollado, contaba con el apoyo de varios países que, tuvieran acceso a la propuesta en el cuarto día del BRM (hemos depositado una presentación con los detalles de la propuesta en el repositorio de documentos que se utilizó durante la reunión, y este repositorio era visitado constantemente por todos los delegados). Pasamos la noche del tercer día casi en el claro, trabajando en esta propuesta.

Con la propuesta debidamente depositada en el depósito de documentos, y por tanto accesible a todos los participantes del BRM, Deivi (jefe de la delegación - HoD - brasileña) ha utilizado el primer coffe break del cuarto día para hablar con Alex Brown y pedirle la oportunidad de presentar nuestra propuesta, para asegurarnos de que ella se presentaría. Alex Brown dijo que deberíamos hablar con la delegación estadounidense, porque entendía que nuestra propuesta estaba relacionada con la propuesta de ellos, y después de una conversación con un delegado y con el jefe de la delegación estadounidense, hemos acordado que ellos presentarían su propuesta y en seguida nos invitarían a hacer nuestra presentación, que consideraban un complemento.

La dinámica de la reunión se hizo tal modo que las rondas de presentación de propuestas (ni siquiera hemos completado 3 ciclos), se entremezclaba con las rondas de actualización del status del trabajo que se estaba haciendo en paralelo (como la propuesta de división de la especificación).

Durante el cuarto día, hablé con los delegados de varios países que habían leído nuestra propuesta y han expresado su apoyo. Sería un debate muy interesante e importante para la reunión, y para asegurarme que tendríamos la palabra, yo personalmente fui a hablar con Alex Brown en la tarde del jueves. Me dijo que sabía lo que queríamos presentar, sabía la importancia de la cuestión y que tendríamos nuestra oportunidad. El día terminó sin que hubiéramos podido hablar, pero nuestro consuelo era que en al día siguiente (último día del BRM), la delegación estadounidense por fin presentaría su propuesta y entonces nos invitarían a complementarla con la nuestra.

El último día del BRM comienza con una enorme acumulación de cosas para ser finalizadas, y fue una mañana de trabajo duro. Viendo el progreso de los trabajos nos preocupamos, pero también sabíamos que la delegación estadounidense haría su presentación después de almurzo. Cuando llegó la hora del almuerzo, sucedió algo que explicaría todo acerca de OpenXml.

Un miembro de la delegación de Canadá, quien es también miembro de ECMA, llegó a donde yo y Deivi estábamos, diciendo que quería hablar con nosotros. El estaba muy nervioso y con vergüenza, y comenzó su intervención pidiendonos no hacer la presentación de nuestra propuesta acerca del mapeo del legado binario, por que ECMA no tenía ese documento y no habían estudiado el tema en ECMA. Él nos dijo que Microsoft fue responsable por la declaración de la “compatibilidad con el legado” y que podría ayudarnos a hablar con Microsoft para pedirles el documento. Cerró su intervención pidiendo que no debemos hacer tal solicitud a la ECMA en público, insistiendo que tal solicitud debería ser hecha a Microsoft. Si bien hemos tenido esta conversación, me di cuenta de que en la parte de atrás de la sala se encontraban varios empleados de Microsoft y miembros de la ECMA que nos observaban con mucha atención y cuando notaran que yo había prestado atención a este detalle, intentaran disimular (fue una escena ridícula).

Deivi utilizó la oportunidad para hacer muchas otras preguntas a él, tal como la supuesta “garantía de acceso” a los documentos legados y ninguna de las respuestas fueran, ni remotamente, aceptables. Para finalizar la conversación, he hablado al delegado de Canadá/ECMA que sí, podríamos atender a su solicitación bajo una única condición: crear una máquina del tiempo y volver hasta el momento en que la discusión se inició en Brasil y transferirse a Brasil para hablar a los miembros de nuestra comisión ( ABNT), que la “compatibilidad con el legado” no hubiera sido examinada por ECMA y por lo tanto, la supuesta “compatibilidad con el legado” era sólo un artificio de marketing. Eso nos ahorraría más de un año de trabajo, porque sin la “compatibilidad con el legado”, el OOXML no es nada más que un overlap total de ODF (y por lo tanto nuestro voto se decidirá muy pronto). Si él no podía responder a esta condición, nos sentimos, pero presentaríamos nuestra propuesta.

Al final de la conversación, fuimos invitados a almorzar con Jean Paoli (Microsoft), y la invitación fue hecha por un miembro de nuestra delegación, que es un empleado de la compañía (Gebara). El restaurante estaba caótico, y la comida nunca llegó. Esto nos obligó a cancelar la solicitud y regresar (con el estómago vacío) para la parte final de la reunión. En la carrera, no tuvimos también la oportunidad de hablar derecho sobre la absurda propuesta de ECMA. Yo estaba nervioso y con hambre.

Cuando regresamos en la sala de reuniones, la delegación de EE.UU. ya estaba empezando su presentación y luego nos preparamos para hacer nuestra presentación. Quién representaba la delegación estadounidense fue Peter Lord, y al final de su intervención invitó la delegación de Brasil para presentar nuestra propuesta, explicando que esta complementaria a la propuesta presentada por ellos. Me levantaba con el computador en la mano, cuando Alex Brown dijo que nuestra propuesta era relacionada a otra cosa y por eso no podríamos hablar, y sería necesario seguir la reunión, siguiendo el orden del día. Varios países han protestado porque querían escuchar nuestra propuesta, pero se hizo caso omiso. El abrió la votación y la propuesta estadounidense fue aprobada. Seguir el orden del día, significaba que, en teoría, aún tendríamos la oportunidad de presentar nuestra propuesta.

Durante la pausa para el último coffe break del BRM, hablé con muchos de los delegados que estaban realmente preocupados por garantizar nuestra oportunidad de hablar, y también mostraban su intención de apoyar nuestra propuesta.

En cada intervalo entre los debates en la parte final de la reunión, alguna delegación se manifestaba en favor de escuchar la propuesta de Brasil (y siempre otras delegaciones les apoyaba). Cuando estábamos muy cerca de la final de la reunión, Deivi pide la palabra, e insiste una vez más con nuestra petición y de esta vez Alex Brown nos dice que lamentablemente no hay tiempo. A esto siguió una intensa ronda de protestas de varios países (uno de los jefes de delegación presentes vino a decir que ha trabajado durante décadas en materia de normalización y nunca ha visto semejante disparate en la ISO). La indignación creció y dio lugar a un grave discusión entre Alex Brown y el jefe de la delegación del Canadá (que está lejos de imaginar la propuesta que su colega ha hecho en nombre de ECMA a Brasil).

El resultado final es que no hemos presentado nuestra propuesta, y todo el mundo se perdió la oportunidad de escuchar de la boca de los delegados del ECMA la frase:

“No hemos estudiado la compatibilidad del OpenXML con el formato binario legado.”

Alguien por ahí tiene alguna duda sobre el resultado final de la votación, si este debate hubiera tenido lugar?

¿Hasta donde hubiera podido lelgar el delegado de ECMA, si nosotros hubiéramos considerado la posibilidad de “negociar” con el?

¿Por qué Alex Brown, a pesar de la importancia de la cuestión, vergonzosamente ha manipulado la reunión para impedir la presentación de la propuesta brasileña?

Creo que muchas de estas preguntas van permanecer sin respuesta, pero me gustaría entender lo que motivó la Alex Brown a cambiar de manera escandalosa el curso (y de los resultados) de la evaluación de OpenXML en ISO.

Desde que esta reunión concluyó en Ginebra, no he pasado ni un día de mi vida sin preguntarme: ¿Qué habría pasado si hubiésemos presentado nuestra propuesta, y que llevó Alex Brown a manipular de tal modo que la reunión?

Ahora que todo el mundo conoce el “backstage” de la decisión de Alex Brown de no permitir a Brasil presentar la propuesta acerca del mapeo de los binarios, algunas observaciones son pertinentes.Revisando todo lo que sucedió durante el BRM, está clara la manipulación del andamiento de la reunión por Alex Brown, que era responsable por hacer cumplir una agenda oculta. Una búsqueda rápida en su blog en sus “contribuciones” a OpenXML en la ISO y su relación con el ECMA (y sus miembros) que se pondrá evidenciar la estrecha relación que tiene con el OpenXML (y este es el mínimo que puedo yo escribir sobre el tema).

Un ejemplo de tal manipulación de la agenda es clara y evidente: La delegación de la ECMA (por lo que yo sé, no es un organismo nacional) tuvo 30 minutos en cada uno de los dos primeros días del BRM para hablar de la “compatibilidad con legado”. O sea, la delegación brasileña, que es un organismo nacional, no pudo hablar por falta de tiempo, pero a ECMA se había asegurado 30 minutos en cada una de los dos primero días de la reunión para hacer su discurso. Este absurdo solo no continuó por todos los otros días por que al término del segundo día, fue hecha una reunión entre Alex Brown y los jefes de las delegaciones y Deivi (jefe de la delegación brasileña), presentó una protesta contra los discursos de ECMA.

Hablando en los discursos de ECMA, uno fue dado por una representante de la “British Library”, y menciono este hecho porque tengo la impresión de que la tríada “British Library”, Alex Brown y Microsoft puede encender algunas luces para mis amigos en Inglaterra ( y me encantaría saber lo que tienen que hablar sobre eso).

“No tengo ninguna duda de que el BRM fue un gran circo, manipulado por ECMA/Microsoft para alcanzar sus metas y el maestro de ceremonias de su arena se llama Alex Brown.”

Si cualquier otro delegado que estaba en la sala recordar detalles adicionales para complementar lo que he escrito, por favor, lo publique en los comentarios.

Tenemos que pasar esta historia a limpio y como he prometido anteriormente, como no tuvo respuestas cuando pregunté a las instituciones, ahora empiezo a preguntar directamente a la gente. Alex Brown es el primer (y es divertido por que que me acusó el otro día en su blog de ser “imparcial”… ¿Qué acusación creen que yo podría, o debería, hacer a el?).

UPDATE: Hay un debate muy rico en los comentários del post en inglés (con la participación especial de Alex Brown).

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It’s been over a year and a half I wrote about the unfortunate events that occurred in the last days of the OpenXML’s BRM, when the Brazilian delegation was prevented by the BRM convenor (Alex Brown) brought out a major proposal related to the binary documents (legacy) mapping for OpenXML.In short, Microsoft claimed throughout the whole OpenXML process at ISO, that the specification was needed because it had been based on the existing binary documents, and so it allows a faithful translation of existing documents to the new format, guaranteeing the “rescue” of information.

During the second day of the BRM, there was a discussion about splitting the specification into multiple parts, and the discussion and responsibility to prepare a proposal on this subject was assigned to a group of delegations (U.S. and Brazil included). As we left Brazil with a list of things that we should treat, and one of those was the legacy documents mapping, we believe it would be a good opportunity to present this proposal and therefore started a conversation with the U.S. delegation (and with some others too) to see what they thought about our proposal. Everyone I talked to, considered it very important and so we started working to polish it, to be presented together with the U.S. delegation, because they considered that our proposal was complementary to their one (new division of the specification - “Multi-Part” proposal).

The main reasons that supported our proposal was that mapping document would allow the development of applications for the faithful conversion of legacy documents by any software developer. That approach and the proposal we’ve developed had the support of several countries that had access to the proposal on the fourth day of the BRM (we posted a presentation with the details proposed into the document repository that was used during the BRM, which was constantly visited by all delegates). We spent almost the whole night of the third day, working on this proposal.

With the proposal file transferred to the document repository, and therefore accessible to all BRM delegates, Deivi (Brazilian Head of Delegation - HoD) took the first coffee break of the fourth day to go talk to Alex Brown and ask him the opportunity to present our proposal just to ensure that it would be presented. Alex Brown said we should talk to the U.S., because he understood that our proposal was related with their proposal, and after a conversation with two U.S. delegates (HoD included), we agreed that they would present their proposal and at the end they would invite us to present our proposal, which was complementary.

The dynamics of the meeting was made so that rounds of NB’s proposals (we didn’t even completed 3 rounds), was interspersed with rounds of follow-up of the work that was being done in parallel (as the division of the specification).

During the fourth day, I talked with delegates from various countries who had read our proposal and wanted to express their support for it. It would be a very interesting debate and important for the meeting and to ensure we’d even have the opportunity to present, I personally went to talk with Alex Brown on Thursday afternoon about our proposal. He said that he knew what we were wanting to present, he had understood the importance of the issue and that we would have our chance. The day ended and we wasn’t authorized to speak, but we felt comfortable with the fact that in the next day (last day of BRM), the U.S. delegation would finally present their proposal and then they would invite us to complement it with our own.

The last day of the BRM begun with a huge backlog of things to be finalized, and it was a morning of hard work. Looking the progress of work during that morning, we got very worried, but we also knew that U.S. delegation would present their proposal soon after lunch. When the meeting was adjourned for lunch, happened a fact that explains to me everything about OpenXML.

A member of the Canada delegation, who is also an ECMA member, came to the place where me and Deivi were in the meeting room, saying that he wanted to talk to us. He was extremely nervous and uncomfortable, and began his talk by asking us to please, don’t present the binary mapping proposal there, seeing that ECMA didn’t had such mapping document and they hadn’t studied the issue there. He told us that Microsoft was responsible for the statement of “legacy compatibility” and if we wanted to have access to the document, he could help us to talk with Microsoft. He finished his talk asking us not to do such a request to the ECMA in public, insisting we should talk with Microsoft. While we had this conversation, I noticed that at the back of the meeting room, several Microsoft employees and ECMA members were watching us with attention and when they saw that I was paying attention in this detail, they pretended to be looking at other parts of the room (it was a ridiculous scene).

Deivi took the opportunity to ask about a lot of other things to him, as the supposed “guarantee” of access to the legacy and none of the answers was even remotely acceptable. To end the conversation, I told to the Canadian delegate, that yes, we would accept his request, but he would need to do one thing: create a time machine, and use it to come back in time and go to Brazil, to the time the discussion started in our National Body (ABNT) and speak there, to the NB’s members that the legacy mapping had never been examined and therefore the supposed “compatibility with the legacy” was just a marketing gimmick. That would save us more than a year’s work, because without the “compatibility with legacy” OOXML is nothing more than a total overlap of ODF (and thus our votes would be decided very quickly). If he wasn’t able to fulfill this request, we were sorry, but the proposal would be presented.

At the end of the conversation, we were invited to lunch with Jean Paoli (Microsoft), invitation made by our delegation member who is also an Microsoft employee (Gebara). The restaurant was a mess, and our food never arrived. This forced us to cancel the order and return (with an empty stomach) to the final part of the meeting. With all the rush, we didn’t had the chance to properly discuss the absurd ECMA proposal. I was nervous and hungry.

When we got back to the meeting room, the U.S. delegation was already starting their presentation and then, we prepare to make our presentation. Peter Lord was presenting in behalf of the U.S. delegation, and at the end of his presentation he invited the Brazilian delegation to present our proposal, explaining that it was complementary to theirs. I was standing up with my computer at hand when Alex Brown unauthorized me, saying that our proposal was related with another issue and we would need to continue to the meeting, following the agenda. Several countries had protested, because they wanted to hear our proposal, but they were simply ignored. Alex Brown opened the voting on U.S. proposal, and the proposal was approved. Following the agenda would mean that we would, in theory, still have an opportunity to present our proposal.

During the last coffee break of the BRM, I talked to many delegates who were really concerned about ensuring our opportunity to speak, and they also showed their intention to support our proposal.

On every interval between the discussions during the final part of the meeting, some delegation expressed that they wanted to hear the Brazilian proposal (and they were always supported by other delegations). When we were very near the end of the meeting, Deivi was authorized to speak and insisted once more on our request, and this time Alex Brown tells us that unfortunately there were no time left. This statement was followed by an intense round of protests from various countries (one of the HoD said that he was working for over decades in standardization and has never seen such nonsense in the ISO). The outrage grew so until a serious (and hard) discussion between Alex Brown and the head of the Canadian delegation (which by far didn’t imagine the proposal that his colleague had made on behalf of ECMA to us).

The end result is that we couldn’t present our proposal, and the whole world missed the opportunity to hear from the mouth of ECMA delegates:

“We didn’t study the compatibility of OpenXML and Microsoft’s legacy binary format.”

Anyone out there have any doubt about the outcome of the vote, if this discussion had taken place?

How far the ECMA delegate would go, if we’d considered the possibility to “negotiate” with him?

Why Alex Brown, even knowing the importance of the issue, shamelessly manipulated the meeting to prevent the proposal presentation by Brazil ?

I think many of these questions will stay unanswered, but I’d really like to understand what motivated the Alex Brown to change in such an outrageous way the course (and outcome) of OpenXML in ISO.

Since this meeting ended in Geneva, I haven’t spent even one day of my life without wondering: What would have happened if we had presented our proposal, and what motivated Alex Brown to manipulate in such a way that meeting?

Now that everyone knows the “backstage” of Alex Brown’s decision, preventing Brazil to present the binary mapping proposal of the last BRM day, a few comments are pertinent.

Reviewing everything that happened during the BRM, the manipulation of the meeting progress by Alex Brown is getting more and more evident, and it’s also clear that he was responsible for enforcing the hidden agenda of the meeting. A quick search on his blog, his “contributions” to OpenXML in ISO and his relationship with ECMA (and ECMA members), will show the close relationship he has with OpenXML (and this is the minimum I can write about it).

An example of such manipulation of the agenda is clear and obvious: The ECMA delegation (as far as I remember ECMA isn’t a ISO National Body) had 30 minutes in each of the first two days of the BRM to make a speeches about “legacy compatibility”. In summary, the Brazilian delegation (which is an ISO National Body), couldn’t speak for lack of time, but the ECMA had 30 minutes in each of the first two days of the meeting to make their speech. This stupidity didn’t happened on the other days of the BRM because on the second day of the BRM, during a meeting between Alex Brown and the HoDs, Deivi (head of the Brazilian delegation) filed a protest against these ECMA’s speeches.

Talking about ECMA’s speeches, one of those was given by a representative of the British Library, and I mention this fact because I have the impression that the triad British Library, Alex Brown and Microsoft may turn on some lights for my U.K. friends ( and I would love to know what they have to say about it).

“I have no doubt that the BRM was a big circus, manipulated by ECMA / Microsoft to achieve their goals and the master of ceremonies of the circus ring is named Alex Brown.”

If any other delegate who was in that meeting room remember of additional details to supplement what I’ve wrote here, please leave it in the comments.

We need to clarify this story, and as promised earlier, seeing that I hadn’t any response asking organizations, I’ll now ask directly to the persons. Alex Brown is the first (and found it interesting that he accused me on his blog of being “partial”… what charge do you think I could or should do about him?).

UPDATE: Please join us on the excellent discussion at the comments (special guest: Alex Brown).

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OpenXML: Quem enganou quem ?

October 14th, 2009

Comecei hoje a desgastante tarefa de ler as correções e emendas ao OpenXML que serão votadas na ISO nos próximos dois meses, e me com isso acabei me lembrando de uma pergunta crucial ainda sem resposta sobre o OpenXML: Quem enganou quem ?Há mais de dois meses foi divulgado o processo que a Microsoft perdeu sobre violação de patentes no OpenXML (o caso i4i). Há quase dois meses, foi publicado um excelente artigo no Groklaw sobre o tema, mas até agora eu não vi nenhuma explicação por parte dos envolvidos, então resolvi escrever este post para explicar com detalhes o que aconteceu, na esperança de que os envolvidos tenham um pingo de decência, caráter e dignidade para responder.

Acho que esta é uma excelente oportunidade para lembrar aos responsáveis pela ISO/IEC, que tudo o que vou relatar ocorreu em um mundo G-8, em que os países que apelaram contra o OpenXML não faziam “parte do grupo”. Hoje vivemos no mundo do G-20 e este é um excelente momento para os senhores demonstrarem que possuem a capacidade readequar suas instituições á nova realidade Internacional. Há um ano, vocês optaram por simplesmente ignoraram os apelos feitos por países em desenvolvimento.

Vamos lembrar da cronologia dos fatos:

Em Março de 2007, a empresa i4i apresenta uma queixa contra a Microsoft sobre violação de patente no OpenXML aos tribunais americanos. Nesta mesma época, o ECMA já estava iniciando seu explicatório dentro do SC34, tentando justificar que o Fast Track (6 meses de prazo) era adequado para a avaliação do OpenXML (mais de 6 mil páginas de especificação). Esta fase do processo ficou conhecida como a fase dos contraditórios.

O tempo passou, o Fast Track foi aceito e o litígio “i4i vs Microsoft” caminhou na justiça. A votação do OpenXML aconteceu e como já era esperado, a especificação foi REJEITADA por ampla maioria no JTC1, e a decisão se amparava em mais de 3 mil problemas técnicos identificados.

O BRM (Ballot Resolution Meeting) foi então convocado, e confesso que até hoje eu não entendo qual era a intenção de quem decidiu convocar esta reunião: Discutir mais de 3 mil problemas técnicos em 5 dias é humanamente impossível (e qualquer cidadão de bem, com sanidade mental e o mínimo de respeito e vergonha na cara percebe isso).

Foi definido também o coordenador do BRM, Alex Brown (que aliás teve papel crucial no resultado final do OpenXML, mas isso é assunto para outro post, pois ainda não revelei tudo o que vi em Genebra), e ele publica em seu blog um FAQ sobre as regras do BRM. Este FAQ circulou ainda como documento oficial da ISO e pode ser lido aqui.

Olhem o que está escrito neste documento:

4.1 Problemas relacionados com Direitos de Propriedade Intelectual serão discutidos no BRM ?

Não. Problemas referentes a Direitos de Propriedade intelectual neste processo são de domínio exclusivo do ITTF. Estes problemas foram previamente delegados por TODOS os membros da ISO e do IEC (NBs) aos CEOs da ISO e do IEC e estes por sua vez, examinaram-os e não encontraram problemas. NBs buscando se certificar disso, devem procurar outros caminhos que não o BRM.

Em outras palavras, os CEOs da ISO e do IEC (autoridades máximas das duas entidades) já haviam avaliado as questões de propriedade intelectual sobre o OpenXML e não encontraram nada, e por isso nenhum comitê no mundo todo precisava se preocupar com a questão… Me lembro de ter questionado esta informação algumas vezes, e a resposta foi sempre a mesma: “Garoto, você está duvidando dos CEOs da ISO e do IEC ?”… e o processo da i4i… como fica ?

Para “não duvidar dos CEOs da ISO e do IEC”, a única explicação que tenho para este fato é a seguinte:

“Houve uma conspiração entre ECMA e Microsoft para omitirem da ISO/IEC o processo da i4i, pois se este processo fosse de conhecimento da ISO/IEC e dos NBs, não tenho dúvidas que o Fast Track do OpenXML seria, no mínimo, suspenso.”

É impossível acreditar que a Microsoft, que possui os advogados mais caros do mundo, não sabia do processo que sofria (há mais de um ano na época do BRM).

Grande parte dos delegados do ECMA que conheci são funcionários da Microsoft ou parceiros de negócio da empresa. Este pessoal pode ser tudo, menos “desinformados” e por isso, não consigo acreditar que o ECMA não sabia do processo.

Por isso, troco a pergunta feita no Groklaw há quase dois meses por uma mais direta: Quem enganou quem ?

Que todos os NBs do mundo foram enganados, que os países viram seus nomes usados de forma inescrupulosa e que todos os delegados técnicos sérios e competentes foram feitos de idiota, já sabemos.

Espero realmente que as partes citadas se manifestem e respondam a toda a sociedade. Não vivemos mais num mundo onde absurdos como este podem ser aceitos, e não vou parar enquanto não encontrar uma resposta (e sei que não estou sozinho nessa busca).

Gostaria ainda de saber da ISO/IEC o que eles têm a dizer sobre tudo isso. Eles sabiam ou não do processo da i4i ?

Mais uma vez, faço um apelo aos CEOs da ISO e do IEC: O G-20 é uma realidade, e nunca é tarde para corrigir uma injustiça !

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OpenXML: Who fooled who ?

October 14th, 2009

I started today the exhausting task of reading the OpenXML corrigendas and amendments that will be in ISO in the next two months, and it just reminded me of one crucial question unanswered about OpenXML: Who fooled who?More than two months ago, was reported a process that Microsoft has lost regarding patent infringement in OpenXML (the i4i case). Almost two months ago, Groklaw published an excellent article about that issue, but so far I haven’t seen any explanation made by the concerned parties, so I’m writing this post to explain in detail what happened, in the hope that those involved have a shred of decency, character and dignity to respond.

I also think that this is an excellent opportunity to remind the people responsible for the ISO/IEC, that everything I’ll relate here occurred in a G-8 world, and that the countries that appealed against the OpenXML wasn’t “part of the group” at that time. Today we live in G-20 world and this is an excellent time for you to demonstrate that you have the ability to readjust your institutions to this new international reality. A year ago, you choice was to simply ignored the appeals made by developing countries.

Let’s remember the chronology of events:

In March 2007, the company i4i files a complaint against Microsoft over patent infringement in OpenXML in U.S. court. Around this time, the ECMA was starting its explanatory within the SC34, trying to explain why the Fast Track (6-month period) was adequate for the evaluation of OpenXML (over 6 thousand pages of specification).

Time passed, the Fast Track was accepted and the dispute “i4i vs. Microsoft” walked in. The vote on OpenXML happened and, as expected, the specification was rejected overwhelmingly in JTC1, and the decision was justified by more than 3 thousand technical problems identified and reported.

The BRM (Ballot Resolution Meeting) was then scheduled, and I must confess that I have no idea about the real intentions of those who decided to convene this meeting: Discuss more than 3 thousands technical problems in 5 days is humanly impossible (and anyone with good will, mental sanity and a minimum of respect and dignity agrees with that).

They also defined the coordinator of the BRM, Alex Brown (who also played a crucial role in the outcome of OpenXML, but that’s subject for another post, because I didn’t revealed yet all I saw in Geneva), and he publishes on his blog a FAQ with the rules of the BRM. This FAQ also circulated as an official ISO document, and can be found here.

Look what is written in this document:

4.1 Will IPR issues be discussed at the BRM?

No. IPR issues in this process are the exclusive preserve of the ITTF. IPR decisions have previously been delegated by all the ISO and IEC members (NBs) to the CEOs of IEC and ISO, and they in turn have examined them and found no outstanding problems. NBs seeking reassurance in such matters must pursue them through other avenues than the BRM.

In other words, the CEOs of ISO and IEC (the highest authorities of the two entities) had assessed the intellectual property issues on OpenXML and found nothing, so no committee around the world have to worry about the issue… I remember that I’ve asked about it few times, and the answer was always the same: “Kid, you are doubting the CEOs of ISO and IEC ?”… but what about the i4i litigation ?

To keep my “no doubt about the CEOs of ISO and IEC”, the only explanation I have for this fact is the following:

“There was a conspiracy between Microsoft and ECMA to omit the i4i litigation from ISO/IEC, because if this litigation was knowed by ISO/IEC and NBs, I have no doubt that the OpenXML Fast Track would be, at least, suspended. ”

It is impossible to believe that Microsoft, which has the most expensive lawyers in the world, wasn’t informed about the litigation against them (a year after it started).

Most of the ECMA delegates I know are Microsoft employees or business partners of the company. This staff can be anything but “uninformed” and therefore I can’t believe that ECMA didn’t know the litigation too.

So, I change the question asked by Groklaw almost two months ago for a more direct one: Who fooled who?

We all know that all NBs was fooled, that the countries have seen their names used in an unscrupulous way and that all delegates and competent technicians has been fooled too.

I really hope to hear something from the cited parties cited, and I believe that all International Society expect the same. We no longer live in a world where a nonsense fact like this can be accepted, and I’ll not stop until I find an answer (and I know I’m not alone in this quest).

I also would like to know from the ISO/IEC what they have to say about all this. They knew the i4i litigation ?

To finalize, I appeal again to CEOs of ISO and IEC: The G-20 is a reality, and it’s never too late to correct an injustice !

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Empecé hoy la agotadora tarea de leer las correcciones y enmiendas que se votaron OpenXML en ISO en los próximos dos meses, y eso me recordó una pregunta crucial sin respuesta acerca de OpenXML: ¿Quién engañó a quién?Hacen más de dos meses que se publicó informaciones acerca del proceso de violación de patentes en OpenXML que Microsoft ha perdido (el caso i4i). Hace casi dos meses, se publicó un excelente artículo en Groklaw sobre el tema, pero hasta ahora no he visto ninguna explicación de las partes interesadas y por eso, decidí escribir este post para explicar en detalle lo que sucedió, en la esperanza de que los implicados tengan una pizca de decencia, carácter y dignidad para responder.

Creo que es una excelente oportunidad de recordar a los responsables por la ISO, que todo lo que voy a informar se ocurrió en un mundo G-8, en lo cual los países que apelaron contra el OpenXML no eran “parte del grupo”. Hoy vivimos en un mundo G-20, y este es un excelente momento para ustedes demostraren que tienen la capacidad de re adecuar su institución a esta nueva realidad internacional. En el año pasado, ustedes han optado por ignorar los apelos de los países en desarrollo.

Recordemos la cronología de los eventos:

En marzo de 2007, la empresa i4i presenta una demanda contra Microsoft por violación de patentes en el OpenXML en los tribunales norte americanos. Alrededor de este tiempo, la ECMA ya empezaba su exposición en el SC34, tratando de justificar que la opción del Fast Track (período de 6 meses) era adecuada para la evaluación de OpenXML (más de 6 mil páginas de especificación).

Pasó el tiempo, el Fast Track fue aceptado y el conflicto “i4i vs Microsoft” seguió en la justicia. La votación del OpenXML se sucedió y como se esperaba, la especificación fue rechazada abrumadoramente en JTC1, y el rechazo se amparaba en más de 3 mil problemas técnicos identificados.

El BRM (Ballot Resolution Meeting) fué entonces programado, y debo confesar que no tengo idea acerca de las intenciones de los que decidieran convocar esta reunión: Hablar más de 3 mil problemas técnicos dentro de 5 días, es humanamente imposible (y de cualquier persona de buena voluntad, con salud mental, un mínimo de respeto y de dignidad se da cuenta de esto).

También se definió el coordinador del BRM, Alex Brown (que también jugó un papel crucial en el resultado de OpenXML, pero eso es tema para otro post, por que aún no he revelado todo lo que vi en Ginebra), y el publica en su blog un FAQ las reglas del BRM. Este FAQ también se distribuyó como documento oficial de la ISO y se puede leer aquí.

Mira lo que está escrito en este documento:

4.1 Problemas relacionados con derechos de propiedad intelectual se discutirán en el BRM?

No. Temas de propiedad intelectual en este proceso son del dominio exclusivo del ITTF. Decisiones de derechos de propiedad intelectual han sido previamente delegado por TODOS los miembros de la ISO y la IEC (NBS) a los CEOs de la ISO y la IEC, y que a su vez las han examinado y no se encontró problemas. NBS que buscan tranquilidad en la materia deben perseguir a través de otras vías que no el BRM.

En otras palabras, los CEOs de la ISO y la IEC (las más altas autoridades de las dos entidades) han analizado las cuestiones de propiedad intelectual sobre OpenXML y no encontraron nada, así que no hay un comité de todo el mundo que tenga que preocuparse con el tema… Recuerdo que me he cuestionado esta información un par de veces, y la respuesta era siempre la misma: “Niño, usted está dudando de los directores generales de la ISO y la IEC ?”… y el proceso de i4i… ¿ahora qué?

Para me mantener “sin duda de los directores generales de la ISO y la IEC”, la única explicación que tengo para este hecho es la siguiente:

“Hubo una conspiración entre Microsoft y ECMA para omitir el proceso judicial (i4i x Microsoft) de la ISO/IEC, porque si este proceso fuera de conocimiento de la ISO/IEC y NBs, no tengo ninguna duda de que el Fast Track de OpenXML sería, por lo menos, suspenso. ”

Es imposible creer que Microsoft, que tiene los abogados más caros del mundo, no consocia el proceso (que ya tenia más de un año en la época del BRM).

La mayoría de los delegados de ECMA que conozco, son empleados de Microsoft o “business partners” de la empresa. Este personal puede ser cualquier otra cosa, pero nunca “desinformados” y por lo tanto no puedo creer que ECMA no conocía el proceso.

Con base en estos factos, me gustaría cambiar la pregunta que Groklaw há hecho hacen casi dos meses por una más directa: ¿Quién engañó a quién?

Ya sabemos que NBs que todo el mundo fueron engañados, que los países han visto sus nombres utilizados sin escrúpulos y que todos los delegados y técnicos competentes han sido engañados en el proceso.

Espero realmente que las partes citadas se manifiesten y respondan a toda la sociedad. Ya no vivimos en un mundo en que tonterías como ésta puede ser aceptada, y no voy parar hasta que cuando encontrar una respuesta (y sé que no estoy solo en esta búsqueda).

También me gustaría saber lo la ISO/IEC tienen que decir sobre todo esto. Ellos sabían o no del proceso de i4i?

Una vez más, hago un apelo a los CEOs de la ISO y la IEC: El G-20 es una realidad, y nunca es demasiado tarde para corregir una injusticia!

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Na semana passada, Sérgio Amadeu publicou um excelente texto sobre a Conferência Nacional de Comunicação e neste texto, ele elenca o que considera como os direitos dos cidadãos na comunicação em redes digitais.

No final de semana, me encontrei com ele e com mais alguns amigos, e concordamos que a elaboração de uma declaração como esta é muito importante, pois através dela podemos expressar uma série de conceitos que definem o mundo da comunicação livre na Internet que temos batalhado tanto para construir e manter.

Concordamos ainda que esta declaração não deveria necessariamente ser apenas brasileira, mas que ela poderia ser adotada (e portanto elaborada com a ajuda) de comunidades no mundo todo.

Por este motivo, estou postando aqui no meu blog a proposta inicial da declaração (escrita pelo Sérgio Amadeu), fazendo as devidas alterações para permitir que ela possa ser utilizada no mundo todo (e não só no Brasil).

Durante os próximos 15 dias (até 06 de Outubro), pedimos encarecidamente que vocês divulguem esta declaração e que enviem através de comentários neste blog suas sugestões de alteração ou complemento. Depois desta data, iremos consolidar todas as contribuições recebidas e divulgar a versão final do documento.

Vamos construir juntos uma declaração que descreva o mundo digital que queremos viver, para que baseados nela, possamos enfrentar as ameaças á nossa liberdade que tanto tem surgido em nossas casas legislativas.

DIREITOS DOS CIDADÃOS NA COMUNICAÇÃO EM REDES DIGITAIS:

Todos têm o direito ao acesso à Internet sem distinção de renda, classe, credo, raça, cor, opção sexual, sem discriminação física ou cultural

Todos internautas têm o direito à acessibilidade plena, independente das dificuldades físicas ou cognitivas que possam ter.

Todos têm o direito de abrir suas redes e compartilhar o seu sinal de internet, com ou sem fio.

Todos os cidadãos têm o direito à comunicação não-vigiada.

Todo internauta tem o direito à navegação livre, anônima, sem interferência e sem que seu rastro digital seja identificado e armazenado pelas corporações, pelos governos ou por outras pessoas, sem a sua autorização.

Todo interagente tem o direito de compartilhar arquivos pelas redes P2P sem que nenhuma corporação filtre ou defina o que ele deve ou não comunicar.

Todo cidadão tem o direito que seu computador não seja invadido, nem que seus dados sejam violados por crackers, corporações ou por mecanismos de DRM.

Todos têm direito a cópia de arquivos na rede para seu uso justo e não-comercial.

Todo cidadão tem direito de acessar informações públicas em sites da Internet sem discriminação de sistema operacional, navegador ou plataforma computacional utilizada.

Toda pessoa tem o direito a escrever em blogs e participar de redes sociais com seu nome, com codinome ou anonimamente.

Todo blogueiro tem o direito de aceitar ou não comentários anônimos, não sendo responsável pelo seu teor.

Aguardo as contribuições de vocês.

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Last week, Sérgio Amadeu published an excellent text about the Brazilian National Conference of Communication and in the text, he lists what he considers the rights of citizens in communication through digital networks.

On past weekend, I met with him and some friends, and agreed that the drafting of a statement like this is very important, because through it, we can express a number of concepts that define the world of free (as in freedom) communication on the Internet that we fight both to build and maintain.We also agree that this statement should not necessarily be only Brazilian, but it could be adopted (and therefore developed with the assistance) of communities around the world.

For this reason, I am posting here on my blog to the original statement (written by Sergio Amadeu), making the appropriate changes to allow it to be used worldwide (and not only in Brazil).

During the next 15 days (until October 6th), we kindly ask that you disseminate this statement and to submit through comments on this blog post your suggestions for amendments or additions. Thereafter, we’ll consolidate all contributions received and disclose the final version of the document.

Let’s build together a statement of the digital world that we want to live, and based on it, we can face the threats to our freedom that are emerging in our legislative houses.

 

CITIZENS’ RIGHTS ON COMMUNICATION IN DIGITAL NETWORKS:

Everyone has the right to access the Internet regardless of income, class, creed, race, color, sexual orientation, without physical or cultural discrimination

All Internet users has the right to full accessibility, regardless physical or cognitive difficulties they may have.

Everyone has the right to open their networks and share their internet signal, wired or wireless.

All citizens have the right to non-monitored communication.

Every Internet user has the right to free navigation, anonymously, without interference, and without his digital trail being identified and stored by corporations, governments or others, without his authorization.

Every interactant has the right to share files through P2P networks without any corporation filtering or defining what he should or should not communicate.

Every citizen has the right to don’t have his computer invaded, or his data violated by crackers, corporations, or DRM mechanisms.

Everyone has the right to copy files through the network to his own fair and non-commercial use.

Every citizen has the right to access public information on Internet sites without discrimination of operating system, Internet browser or computer platform used.

Everyone has the right to write on blogs and social networking with his own name, nick name or anonymously.

Every blogger has the right to accept or refuse anonymous comments, without being responsible for their content.

I look forward to contributions from you.

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La semana pasada, Sérgio Amadeu publicó un excelente texto sobre la Conferencia Nacional de la Comunicación Brasileña, y en el texto, el enumera lo que considera los derechos de los ciudadanos en la comunicación en las redes digitales.En el fin de semana pasado, me reuní con él y con algunos otros amigos, y hemos hablado que la redacción de una declaración como esta es muy importante porque a través de ella podemos expresar una serie de conceptos que definen el mundo de la comunicación libre en la Internet que hemos luchado tanto para construir y mantener.

También estamos de acuerdo que esta declaración no necesariamente debe ser sólo de Brasil, pero podría ser adoptada (y por tanto elaborado con la asistencia) de las comunidades de todo el mundo.

Por esta razón, que publico aquí en mi blog la declaración original (escrita por Sérgio Amadeu), haciendo los cambios adecuados para que pueda utilizarla en todo el mundo (no sólo en Brasil).

Durante los próximos 15 días (hasta el 06 de octubre), le rogamos que difunda esta declaración y que presente a través de comentarios en este blog sus sugerencias de modificaciones o adiciones. A partir de entonces, vamos a consolidar todas las contribuciones recibidas y divulgar la versión final del documento.

Vamos a construir juntos una declaración del mundo digital en que nos gustaría vivir, para que la tengamos como base para enfrentar las amenazas a nuestra libertad que han surgido tanto en nuestras cámaras legislativas.

 

DERECHOS DE LOS CIUDADANOS EN LA COMUNICACIÓN EN REDES DIGITALES:

Toda persona tiene derecho a acceder a la Internet, independientemente de su renta, clase, credo, raza, color, orientación sexual, sin discriminación física o cultural

Todos los usuarios de Internet tienen derecho al accesibilidad plena, independientemente de las dificultades físicas o cognitivas que puedan tener.

Toda persona tiene derecho a abrir sus redes y compartir su señal de Internet, por cable o inalámbrica.

Todos los ciudadanos tienen el derecho a la comunicación no vigiada.

Todo usuario de Internet tiene derecho a la navegación libre, anónima, sin injerencias y sin que su rastro digital sea identificado y almacenado por empresas, gobiernos u otras personas sin su autorización.

Todo interactante tienen el derecho a compartir archivos en redes P2P sin que ninguna corporación filtre o defina lo que el debe o no debe comunicar.
Todo ciudadano tiene el derecho que su ordenador no sea invadido, o que sus datos sean violados por crackers, corporaciones, o mecanismos de DRM.

Todos tienen derecho a copiar los archivos en la red para el uso justo y no comercial.

Todo ciudadano tiene el derecho de acceso a la información pública en los sitios de Internet sin discriminación al sistema operativo, navegador o plataforma informática utilizada.

Toda persona tiene derecho a escribir en los blogs y redes sociales con su nombre, nombre de código o de forma anónima.

Cada blogger tiene el derecho de aceptar o rechazar los comentarios anónimos, y no son responsables por su contenido.

Espero con interés las contribuciones de ustedes.

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ODF Workshop e CONSEGI 2009

September 4th, 2009

Passei a semana passada inteira em Brasília, participando do ODF Workshop e do CONSEGI 2009, e gostaria de dividir com vocês aqui um pouco do que vi, ouvi e falei por lá.O ODF Workshop 2009 teve duração de um dia e meio (25 e 26 de Agosto) e média de público acima de 40 pessoas em cada um dos dias, oriundas de 13 países (grande parte da audiência internacional era composta por gestores governamentais de TI e elaboradores de políticas públicas em seus países).

O primeiro dia de Workshop foi realizado dentro do Palácio do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e tivemos a honra de contar com a presença do Ministro Celso Amorim na cerimônia de abertura. Foi um dia de excelentes apresentações, que nos mostraram o atual status da adoção do ODF e dos padrões abertos em diversos governos. Tive a oportunidade de contar um pouco da história do ODF para os participantes do evento, além de apresentar as principais novidades da versão 1.2 do padrão, atualmente em desenvolvimento no OASIS.

Talvez o ponto alto do primeiro dia de evento tenha sido o intenso (e interessante) debate que tivemos após a instigante apresentação feita pelo meu querido amigo Nagarjuna, da Free Software Foundation Índia. De forma muito resumida, Nagarjuna defendeu que é necessário que consideremos um crime a utilização de software e padrões proprietários, e é ainda necessária uma reação mais forte contra as tecnologias proprietárias (forte, não agressiva, e usou como exemplo a desobediência civil de Gandhi).

Após sua apresentação, o debate foi basicamente feito entre um grupo que concorda que é necessária uma atitude mais forte contra as tecnologias proprietárias e o grupo que acredita que devemos continuar tratando do assunto com mais calma… e foram quase duas horas de debate, talvez o mais interessante que já participei.

Acabamos concordando, entre outras coisas, que é importante que o tema seja cada vez mais debatido e compreendido pelos executivos e tomadores de decisão nos governos e empresas, e que a discussão nos níveis estratégicos é fundamental para que exista o suporte efetivo nos níveis operacionais.

Foi muito bom ouvir os dois lados, ouvir experiências que deram certo e errado (dos dois lados), e ao final, cada um deixou a sala com alguma coisa para pensar… e pelas conversas que tive nos dias seguintes, muita gente pensou mesmo sobre o assunto !

Demorei alguns dias para publicar este post pois pensei bastante sobre o debate, e gostaria de compartilhar com vocês as minhas conclusões: O Nagarjuna tem toda a razão.

A definição mais adequada que conheço de insanidade é “continuar fazendo o que sempre fazemos, e esperar que as coisas mudem”. Infelizmente todos nós da comunidade de padrões abertos e software livre, pela natureza de extrema liberdade em nossas convicções, acabamos atuando de forma insana.

Acho que o tempo de aceitar e conviver pacificamente com o mundo proprietário já passou e se continuarmos com a mesma postura tolerante, não chegaremos a lugar algum. Já se vão anos (prá não dizer décadas) que estamos explicando e mostrando a todo mundo que um novo paradigma de desenvolvimento tecnológico e cultural é possível, mas ainda assim, continuamos aceitando com muita facilidade algumas coisas… (ou seja, fazemos tudo do mesmo jeito…).

Posso pegar o meu caso pessoal como exemplo. Todo mundo sabe que trabalho e milito pelo ODF, mas ainda assim, tem gente que insiste em me enviar documentos em formatos proprietários, e ás vezes, por educação eu acabo aceitando… é ou não é uma insanidade ?

Decidi que á partir de agora, um documento em formato proprietário que chegar em minhas mãos terá dois destinos possíveis: A lixeira ou o remetente… Só assim as pessoas com quem convivo vão aprender de verdade a, no mínimo, respeitar a minha escolha de só utilizar um padrão aberto… Não é uma questão de radicalização, pois já fazem anos que falo de ODF até para os cachorros que vejo passando pela rua, é uma questão de respeito.

Na verdade eu já tenho uma postura assim em relação a software, pois há vários anos só utilizo software livre e depois de ter deixado bem clara a minha opção, é muito raro alguém chegar comentando sobre algum software “daquele” outro sistema operacional.

Como já dizia Gandhi, “Temos que ser a mudança que queremos ver no mundo”, e existem momentos em que precisamos passar do discurso á prática efetiva. Novamente insisto que para mim isso não é radicalização, é simplesmente uma questão de respeito… já conversamos e fomos tolerantes por muito tempo.

O segundo dia do ODF Workshop foi realizado dentro do CONSEGI, um evento de governo eletrônico e software livre organizado pelo governo brasileiro que cresce a cada ano. Neste segundo dia, a participação no Workshop estava aberta a todos os participantes do CONSEGI e me surpreendi com o número de pessoas do congresso que participaram do Workshop. Quem participou pôde ver mais um pouco sobre o que está sendo feito em relação a padrões abertos, ODF e software livre em mais três países: Brasil, Equador e Cuba. Também puderam presenciar a entrega do ODF Award a Vitório Furusho.

ODF Award 2009 para Vitório Furusho

Em resumo, o Workshop foi excelente e a troca de experiências e informações que ele nos propicia é fundamental. Fiquei ainda extremamente contente em ver que grande parte dos países que participaram do evento são países em desenvolvimento e fica uma mensagem muito clara para quem quiser ouvir: Padrões Abertos e Software Livre fazem parte de nossas agendas de desenvolvimento. Não é uma decisão tecnológica ou ideológica, mas uma questão de soberania.

Para ilustrar o que é o ODF no Brasil hoje, vale a pena destacar dois números apresentados durante o workshop (pelo Fabiano da Celepar, na apresentação do Case Paraná e pelo Paulo Maia, idealizador do Protocolo de Brasília). A estimativa atual é que já temos mais de 1,5 milhões de usuários de ODF só em governos no Brasil e, com as novas adesões ao protocolo de Brasília, vamos ultrapassar a barreira dos 2 milhões antes do final deste ano.

O CONSEGI deste ano foi melhor do que o do ano passado e só tenho uma certeza: O do ano que vem será melhor ainda (esse pessoal está se superando a cada ano), e me impressiona a dedicação, profissionalismo e paixão com que as pessoas trabalham no evento (mais de 3700 participantes).

Este evento é uma das raras oportunidades onde se pode presenciar um debate aberto e franco, sobre políticas públicas e tecnologia, com a participação de representantes de diversos governos (e falo aqui de representantes da presidência da república e ministérios de diversos governos). É realmente gratificante participar destes debates.

Como latino americano, militante do software livre e dos padrões abertos, fico muito orgulhoso de ver como os dois temas fazem parte da agenda de desenvolvimento tecnológico da maioria dos países latino americanos, e que tem sido ainda um ponto de convergência através do qual excelentes parcerias de cooperação tecnológica começam a sair do papel. É muito legal poder participar tão de perto de um momento histórico como este.

O CONSEGI ainda me surpreendeu pela quantidade (e qualidade) das palestras e debates sobre a cultura livre, com destaque para o movimento Música Para Baixar (carinhosamente chamado de “A nova MPB “), que me faz acreditar que realmente a cultura da colaboração vai prevalecer e permear toda a sociedade.

Me surpreendi ainda com a cerimônia de assinatura do protocolo de Brasília que foi realizada durante o CONSEGI, que teve sua adesão aberta á empresas e privadas, academia e organizações durante o evento. Temos agora mais de 44 assinaturas ao protocolo e o que surpreendeu foi o número de empresas que decidiram assinar o protocolo ali mesmo, durante a cerimônia de assinatura.

Durante a cerimônia de abertura do CONSEGI, na presença do Presidente Lula, os representantes do Exército e da Marinha Brasileira assinaram o protocolo. A Aeronáutica já havia assinado o protocolo no ano passado e agora, as três forças armadas brasileiras utilizam ODF !!!

Falando em Presidente Lula, não posso deixar de comentar que tive a honra de conhece-lo pessoalmente, minutos antes do início da cerimônia de abertura do CONSEGI e me surpreendi com o que descobri: o Presidente Lula sabe o que é ODF e sabe ainda a sua importância para nosso país :)

Gostaria de finalizar agradecendo ao SERPRO, Caixa Econômica Federal e ao Ministério das Relações Exteriores, por nos ajudar a organizar e realizar o Workshop ODF. Sem a ajuda de vocês, nada disso seria possível.

Agradeço ainda pela companhia e parceria do Marino Marcich, que já publicou suas impressões sobre o Workshop ODF aqui. Foi ótimo poder passar alguns dias com o Marino, discutindo sobre o que já fizemos juntos e sobre o que vamos fazer nos próximos anos (quem viver, verá !).

Para se ter uma ideia do sucesso do Workshop ODF entre os participantes, já temos ofertas para a realização dos workshops em 2010 e 2011 e não tenho dúvidas que serão excelentes eventos !

As apresentações feitas no ODF Workshop serão publicadas aqui.

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