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Há alguns dias fomos todos surpreendidos com um documento encontrado no CableGate, trocado entre a embaixada norte americana no Brasil e o Governo Norte Americano em 2007. De acordo com este documento, a Microsoft fazia gravíssimas acusações contra o governo brasileiro, e apesar de ter se feito de ‘tolinha’ pelo relato da reunião, pedia indiretamente uma intervenção do Governo Norte Americano para frear o avanço do ODF no Brasil, conseguir o apoio brasileiro para a aprovação do OpenXML na ISO, frear a parceria entre o comitê técnico brasileiro e demais comitês internacionais que discutiam o padrão, reduzir a influência do Brasil no debate internacional sobre o OpenXML, além de acusar o Ministério das Relações Exteriores e a Casa Civil de estarem executando uma campanha anti-americana. Pior do que isso, insinuam ainda que o ODF é um padrão anti-americano !

Eu estava envolvido até o pescoço com tudo isso naquela época e tenho aqui todos os detalhes de bastidores que causaram esta reunião entre a Microsoft e o Embaixador Americano e posso afirmar categoricamente: Foi SIM um pedido velado de intervenção.

Como esclarecimento inicial, o XML citado de forma incompleta no documento é o OpenXML (o Open deve ter sido suprimido por quem relatou a reunião).

Para contextualizar o documento, é importante lembrar que começamos a trabalhar na avaliação do OpenXML no Brazil no início de 2007, e que votamos “NÃO” à aprovação do padrão em Setembro. O resultado desta votação foi a rejeição do padrão com mais de 3 mil defeitos técnicos apontados. Mesmo assim, de forma surpreendente, o SC34 resolveu agendar uma reunião de 5 dias para Março de 2008 em Genebra na Suiça para ‘discutirmos os mais de 3 mil problemas técnicos’. Esta reunião se chamou Ballot Resolution Meeting (BRM) e existe farta documentação em meu blog sobre ela e o seu resultado final, de mudança de voto surpreendente e aprovação do padrão.

Gostaria de deixar claro aqui que não acredito que esta reunião entre Microsoft e o representante maior do Governo Norte Americano no Brasil tenha sido uma iniciativa individual do Sr. Michel Levy, mas que tenha sido uma iniciativa da corporação. Apesar de funcionário da Microsoft o Sr. Michel Levy é brasileiro, e prefiro não acreditar que ele tenha, por iniciativa própria, decidido se esforçar para colocar o Governo Norte Americano contra o Governo Brasileiro, desrespeitando assim nossa soberania nacional e nosso mérito técnico.

A primeira pergunta que deixo aqui é em quantos outros países que votaram NÃO ao OpenXML o mesmo aconteceu, e quais destes países “acataram”um eventual puxão de orelha por parte do governo norte americano.

Sim, o puxão de orelha pode mesmo ter ocorrido, pois se notarem a linha geral do discurso usado aqui no Brasil, a decisão técnica nacional é apresentada como sendo algo contra os Direitos de Propriedade Intelectual (IPR), e uma das coisas que causam retaliação nos acordos de livre comércio com os Estados Unidos são as violações à Propriedade Intelectual. Estou cansado de colecionar boatos aqui dos tempos de OpenXML, onde possíveis sanções motivadas por estas violações foram trazidas à mesa para a negociação dos votos de governo em alguns países (se seu país mudou de voto depois de Setembro de 2007, pode investigar que vai encontrar um papel ‘chave’ para o governo nesta mudança de voto). Quem sabe um dia o Wikileaks nos ajuda a investigar de forma aprofundada isso também !

Ainda sobre a motivação da reunião, acho cômico o fato de que no último parágrafo do documento esta escrito que a Microsoft não estava pedindo ajuda ao Governo Norte Americano, e duvido que no meio diplomático veríamos ali algo como “a Microsoft veio pedir ajuda pelo amor de Deus, pois estes malditos nativos Sul Americanos estão estragando tudo !”… Se não foi para pedir ajuda, por que motivo fizeram a reunião ? Seria o Embaixador Americano um psicólogo especializado em frustrações corporativas ? Será que ele é blogueiro secreto de algum site internacional de fofoca ?

Se ele deu ‘conselhos’ à Microsoft no Brasil, será que ele pode também me dar os números da Mega Sena se eu for até lá ?

Voltando ao documento, fico imensamente irritado ao ver a Microsoft afirmar que o Governo Brasileiro estava pressionando a ABNT para adotar o ODF. A Microsoft era membro do comitê da ABNT na época, e tenho aqui uma ata de reunião a empresa concorda com a abertura do processo para a adoção do padrão ODF no Brasil. Fui o responsável por este processo dentro da ABNT e contamos com colaboração de diversos órgãos de governo e empresas privadas, seguindo todas as regras internas da ABNT, sem pressão alguma e o pior de tudo: todo o processo foi feito com acompanhamento da Microsoft, que era membro do comitê e optou por não nos ajudar com o trabalho de tradução do padrão  para o português do Brasil.

A Microsoft sabia que o Brasil mantém uma tradição dentro da ABNT de que não são adotadas no Brasil as normas internacionais que contaram com o voto de rejeição do Brasil na ISO. Em outras palavras, se a tradição não for quebrada, o OpenXML jamais será adotado no Brasil ! (e isso no final de 2007 era uma catástrofe para a empresa, que estava jogando pesado tudo o que podia para conseguir o carimbo da ISO no OpenXML).

Para piorar a situação, a troca de informações entre membros dos comités técnicos que avaliavam o OpenXML era constante, e ao ver que o Brasil tinha dado um voto NÃO muito bem embasado tecnicamente, foi natural começarmos a receber por aqui pedidos de colaboração de diversos membros de outros comitês. Eu mesmo perdi a conta do número de pessoas e comitês com quem me correspondi durante aqueles meses. Claro que novamente isso incomodava demais a empresa, pois passamos a distribuir por aí pontos de argumentação para os quais eles nunca teriam uma resposta aceitável, e isso estava de fato complicando bastante a vida deles para manipular o jogo no mundo todo.

Não vou comentar aqui as acusações feitas ao Ministério das Relações Exteriores, mas digo apenas que se o ministério se manifestou internacionalmente sobre os fatos da época, esta foi uma decisão soberana e devia ser aceita por todos (e aceitar não significa concordar ou aprovar). Trabalhar contra um posicionamento destes é trabalhar contra a soberania nacional, e isso é inadmissível !

Acho interessante ver como o mundo dá voltas, e ver que as pessoas que a Microsoft acusa de serem anti americanas, são atualmente o Ministro da Defesa (Celso Amorim) e a nossa Presidenta da República (Dilma Russef), que é acusada ainda de ser contra os direitos de propriedade intelectual. Espero que a assessoria de ambos leiam o documento, para que fique clara a imagem que a Microsoft tem dos dois !

Para finalizar, tentam ainda insinuar que o ODF é um padrão anti americano. Confesso que gostaria muito de saber o que a IBM, Oracle, Google e Red Hat (entre outras empresas americanas) pensam sobre o padrão, uma vez que trabalham há alguns anos em seu desenvolvimento e adoção. Na verdade eu prefiro que estas empresas expliquem diretamente ao Governo Norte Americano se o ODF é ou não anti-americano, e espero ainda que elas peçam esclarecimentos ao governo do seu país sobre atividades similares da Microsoft em outros países durante os anos de 2007 e 2008.

Para quem não acompanhou a história toda, o ODF foi adotado no Brasil, o OpenXML rejeitado por aqui e só não tivemos um papel maior no cenário internacional pois fomos calados no último dia do BRM, justo quando iriamos apresentar uma proposta que mudaria o final desta história. Já contei esta história aqui.

Obrigado ao WikiLeaks, por nos ajudar a começar a tirar os esqueletos do armário. Para quem quiser entender como a Microsoft trata e negocia com países que possuem políticas pró Software Livre, vale a pena ler este outro cable aqui. Divirtam-se !

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A few days ago we were all surprised by a document leaked  at CableGate, exchanged between the US embassy in Brazil and the American Government in 2007. According to this cable, Microsoft made serious accusations against the Brazilian government, and despite of the attempt to play the ’silly Microsoft’ at the meeting, they indirectly asked for an intervention of the American Government to halt the spread of ODF in Brazil, to win the Brazilian support for the approval of OpenXML in ISO, to halt the partnership between the Brazilian technical committee and other committees discussing the international standard at that time, to reduce the influence of Brazil in the international debate on OpenXML, and also to accuse the Brazilian Ministry of Foreign Affairs and the Brazilian Presidency’s Civil House of being anti-Americans. Worse than that, they also suggested that ODF is an anti-American standard!

I was involved up to my neck with all that was happening at that moment, and I have here all the details from the “behind the scenes” that caused the meeting between Microsoft and the U.S. Ambassador and I can say categorically: YES, it was a veiled request for intervention.

As an initial clarification, the XML mentioned at the document is the OpenXML (Open could have been erroneously suppressed by those who wrote the report the meeting).

To contextualize the document, it is important to remember that we started working on the evaluation of OpenXML in Brazil in early 2007, and voted ‘NO’ to the standard approval in September of that year. The result of that ballot was the rejection of the standard with more than 3,000 technical defects noted. Yet, surprisingly, the SC34 decided to schedule a five days meeting for March, 2008 in Geneva, Switzerland to ‘discuss the more than 3,000 technical problems’. This meeting was called Ballot Resolution Meeting (BRM) and there is ample documentation here in my blog about it and its final result, of surprising change of votes and approval of the standard.

Let me make clear here that I don’t believe that this meeting between Microsoft and the major representative from the American Government in Brazil has been a personal initiative of Mr. Michel Levy, but for me it was an corporative initiative. Even being a Microsoft employee, Mr. Michel Levy is a Brazilian, and I prefer not to believe that he has, on its own initiative, decided to start an initiative to put the American Government against the Brazilian Government, thus violating our sovereignty and our national technical merit.

The first question that I leave here is on how many other countries that voted NO to OpenXML the same kind of initiative also happened, and how much of these countries “have accepted” an eventual intervention by the U.S. government.

Yes, the intervention may have occurred, because if you notice the general line of argumentation used here in Brazil, the national technical decision is presented as being an initiative against the Intellectual Property Rights (IPR), and one of the things that cause retaliation in free trade agreements with the United States are eventual IPR violations. I have my own collection of rumors from the times of OpenXML, where possible sanctions motivated by IPR violations were brought to the negotiation table to get the governmental votes in some countries (if your country has changed the vote after the voting in September 2007, please investigate and you will probably find a ‘key’ governmental role on that vote changing). Maybe one day, WikiLeaks  could help us to investigate that too!

Still on the motivation of the meeting, I think it is comic that in the last paragraph of the document, is written that Microsoft was not asking for any governmental advocacy on the issue, and I doubt we would see in diplomatic circles documents like this one something like “Microsoft came asking for help in the name of God, because these damned South Americans natives are ruining everything !”… If it was not for help, why they had that meeting? Perhaps the American Ambassador is a psychologist specialized in international corporate frustrations? Is he a secret blogger of an international gossip website ? If he gave ‘advice’ for free to Microsoft in Brazil, can he also give me the numbers of the lottery if I ask ?

Back to the document, I am greatly angered to see Microsoft claims that the Brazilian government was pressuring ABNT (Brazilian National Body and Standards Organization) to adopt ODF. Microsoft was a member of the ABNT’s committee at the time, and I have here the minutes of a meeting where the company agrees to open the ODF adoption process in Brazil. I was responsible for that process inside the ABNT and rely on the collaboration of various government agencies and private companies, following all the internal rules of ABNT, without any pressure and worst of all: the whole process was done with Microsoft’s monitoring, which was a committee member and chose not to help us with the work of translating the standard into Brazilian Portuguese.

Microsoft knew at that time that Brazil has a tradition inside the ABNT that we don’t adopt international standards in Brazil if we voted against the standard approval at ISO. In other words, if the tradition is kept, OpenXML will never be adopted in Brazil! (And this, at the end of 2007, was a catastrophe for the company, who was playing as hard as they could to get the ISO stamp at  OpenXML).

To make their situation worse, the exchange of information between members of technical committees that evaluated the OpenXML was constant, and seeing that Brazil had taken a NO vote technically well grounded, it was natural for us to to start receiving requests for assistance of various members other committees. I really lost the count of the number of people and committees with whom I corresponded during those months. Of course it bothered too much the company, because we distributed argumentation points out there, for which Microsoft would never have an acceptable answer, and this sharing had contributed to complicated even more their tries to manipulate the game worldwide.

I will not comment here on the accusations made to the Brazilian Ministry of Foreign Affairs, but I’ll only state that the if our Ministry has manifested his position internationally at that time, this was a sovereign decision and should be accepted by all (and accept doesn’t means to agree or to approve). Working against such a position is to work against Brazilian national sovereignty, and this is unacceptable!

I find it interesting to see how the world turns, and see that people accused by Microsoft of being anti Americans, are currently the Minister of Defence (Celso Amorim) and our President of the Republic (Dilma Russef), which was also accused of being against intellectual property rights. I’m hoping that the staff of both read the document, so they can show to them the image that Microsoft Corporation have of both!

Finally, they try to insinuate that the ODF is an anti-American standard. I confess that I would like to know what IBM, Oracle, Google and Red Hat (and other North American companies) think about the that, since they work hard on the past years on its development and worldwide adoption. Actually I prefer that these companies explain directly to the American Government if the ODF is  anti-American, and I still hope they ask clarification from the American Government about Microsoft’s similar initiatives in other countries during the 2007 and 2008 years.

For those who did not follow the whole story, the ODF was adopted in Brazil, OpenXML rejected here and just didn’t had a major role on the international scene, because we were silenced on the last day of the BRM, just when we would submit a proposal that could change the end of this history. I’ve already told this story here.

Special thanks to WikiLeaks, for helping us get the skeletons out of the closet. For those who want to understand how Microsoft deals and negotiates with governments that have pro-FLSOO policies, it’s worth reading this other cable here. Have fun with it!

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Hace unos días nos sorprendió a todos un documento que se publicó en CableGate, intercambiado entre la Embajada de EE.UU. en Brasil y el Gobierno estadounidense en 2007. De acuerdo con este cable, Microsoft ha hecho graves acusaciones contra el gobierno brasileño, a pesar del intento de jugar como ‘inocente Microsoft’ en la reunión, ellos indirectamente han pedido la intervención del Gobierno estadounidense para detener la propagación de ODF en Brasil, para ganar el apoyo de Brasil para la aprobación de OpenXML en ISO, para poner fin a la colaboración entre el comité técnico brasileño y de otros comités que estaban involucrados en discutir la norma internacional en aquel momento, para reducir la influencia de Brasil en el debate internacional sobre OpenXML, y también para acusar a lo Ministerio brasileño de Relaciones Exteriores y de la Cámara Civil de la Presidencia de Brasil de ser anti-estadounidenses. Peor que eso, también han sugerido que ODF es un estándar anti-americano!

Yo estaba involucrado hasta mi cuello con todo lo que se pasaba en aquel momento, y tengo aquí todos los detalles del “detrás de escena” que han causado  la reunión entre Microsoft y el Embajador de los EE.UU. y puedo decir de forma categórica: sí, fue una solicitud velada de intervención.

Como una aclaración inicial, el XML que se menciona en el documento es el OpenXML (Open podría haber sido suprimido por error de los que escribieron el informe de la reunión).

Para contextualizar el documento, es importante recordar que empezamos a trabajar en la evaluación de OpenXML en Brasil a principios de 2007, y hemos votado “NO” a la aprobación del estándar en septiembre de 2007. El resultado de esa votación fue el rechazo de la norma con más de 3.000 defectos técnicos presentados. Sin embargo, sorprendentemente, el SC34 decidió programar una reunión de cinco días en marzo de 2008 en Ginebra, Suiza, para “discutir los más de 3.000 problemas técnicos”. Esta reunión fue llamada de  Ballot Resolution Meeting (BRM) y hay una amplia documentación acerca de ella y su resultado final aquí en mi blog. De forma sorprendente, hubo un cambio de votos y la aprobación de la norma.

Quiero dejar claro aquí que no creo que esta reunión entre Microsoft y el principal representante del Gobierno estadounidense en Brasil ha sido una iniciativa personal del señor Michel Levy, pero para mí fue una iniciativa corporativa. Aun siendo un empleado de Microsoft, el Sr. Michel Levy es un brasileño, y prefiero no creer en el tuvo, por su propia iniciativa, la idea de lanzar una iniciativa para poner el Gobierno de Estados Unidos contra el Gobierno de Brasil, violando nuestra soberanía y nuestro mérito técnico.

La primera pregunta que me dejo aquí es: En cuantos otros países que votaron NO al OpenXML el mismo tipo de iniciativa también pasó, y cual parte de estos países “han aceptado” una eventual intervención por el gobierno de los EE.UU..

Sí, la intervención puede haber ocurrido, porque si se observa la línea general de la argumentación utilizada en Brasil, la decisión técnica nacional se presenta como una iniciativa contra los derechos de propiedad intelectual (IPR), y una de las cosas que pueden causar represalia en los acuerdos de libre comercio con los Estados Unidos son posibles violaciónes de derechos de propiedad intelectual. Yo tengo mi propia colección de rumores de la época de OpenXML, donde las posibles sanciones motivadas por violaciónes de derechos de propiedad intelectual fueron llevados a la mesa de negociación para obtener los votos del gobierno en algunos países (si su país ha cambiado el voto después de la votación en septiembre de 2007, por favor investigar, y es probable que encuentre un papel “clave” del gobierno en el cambio de voto). Tal vez algún día, WikiLeaks nos puede ayudar a investigar eso también!

Aún acerca de la motivación de la reunión, creo que es cómico veer en el último párrafo del documento, escrito que Microsoft no estaba pidiendo ningún apoyo gubernamental sobre el tema, y dudo que se vean en los documentos de los círculos diplomáticos como éste, algo así como “Microsoft llegó pidiendo ayuda en nombre de Dios, porque estos malditos nativos Sur Americanos están arruinando todo !”… Si no fuera por ayuda, por qué hubo esa reunión? Tal vez el embajador de los Estados Unidos sea una psicólogo especializado en el frustraciones corporativa internacionales? ¿Quién sabe se él es un blogger secreto de un sitio web de chismes internacionales? Si le dio “consejos” de forma gratuita a Microsoft en Brasil, puede también darme los números de la lotería ?

Volviendo al documento, estoy muy enojado al ver declaraciones de Microsoft que el gobierno brasileño estaba presionando a la ABNT (National  Body de Brasil y la Organización de Normas Nacionales) para adoptar ODF. Microsoft fue miembro del comité en la ABNT, y tengo aquí el registro de una reunión en la cual la empresa ha manifestado estar de acuerdo a iniciar el proceso de adopción de ODF en Brasil. Yo fue el responsable por ese proceso dentro de la ABNT y contamos con la colaboración de diversos organismos públicos y empresas privadas, siguiendo todas las normas internas de la ABNT, sin ninguna presión y lo peor de todo: todo el proceso se llevó a cabo con la supervisión de Microsoft, que era un miembro del comité y decidieron no nos ayudan con el trabajo de traducir la norma al portugués de Brasil.

Microsoft sabía en aquel momento, que Brasil tiene una tradición dentro de la ABNT que no se adoptan las normas internacionales en Brasil, si hemos votado en contra de su aprobación en el la ISO. En otras palabras, si la tradición se mantiene, OpenXML no se adoptará en Brasil! (Y esto, a finales de 2007, fue una catástrofe para la empresa, que estaba jugando tan duro como pudo para obtener el sello ISO en OpenXML).

Para hacer la situación peor, el intercambio de información entre los miembros de los comités técnicos que evaluaron el OpenXML fue constante, y al ver que Brasil había tomado un voto NO técnicamente bien fundado, fue natural para nosotros  empezar a recibir solicitudes de asistencia de varios miembros otros comités. Realmente me perdió la cuenta del número de personas y de los comités con los cuales me correspondía durante esos meses. Por supuesto eso ha molestado mucho a la compañía, ya que hemos distribuido  puntos de argumentación para los cuales Microsoft nunca tuvo una respuesta aceptable, y esta participación ha contribuido a complicar aún más la manipulación de la empresa en juego en todo el mundo.

No voy a comentar aquí sobre las acusaciones hechas al Ministerio de Relaciones Exteriores brasileño, pero sólo voy a decir que sí nuestro Ministerio ha manifestado su posición a nivel internacional en aquel momento, se trataba de una decisión soberana y debe ser aceptada por todos (y aceptar no significa estar de acuerdo o aprobar). Trabajando en contra de esta posición es trabajar contra la soberanía nacional de Brasil, y esto es inaceptable!

Me parece interesante ver cómo gira el mundo, y ver que las personas acusadas por parte de Microsoft de ser anti-estadounidenses, son actualmente el Ministro Brasileño de Defensa (Celso Amorim) y nuestra Presidenta de la República (Dilma Russef), que también fue acusada de ser contra los derechos de propiedad intelectual. Tengo la esperanza de que el personal de ambos leen el documento, para que puedan mostrar a la imagen Microsoft  tiene de los dos!

Por último,  tratan de insinuar que el ODF es un estándar anti-estadounidense. Confieso que me gustaría saber lo que IBM, Oracle, Google y Red Hat (y otras empresas de los EE.UU.) piensan de eso, ya que han trabajado duro en los últimos años para el desarrollo y la adopción en todo el mundo del ODF. En realidad, me gustaría más que estas empresas presente sus explicaciones directamente al gobierno de los Estados Unidos, y digan si el ODF es anti-estadounidense, y todavía espero que pidan aclaraciones al Gobierno estadounidense sobre iniciativas similares de Microsoft en otros países durante los años 2007 y 2008.

Para aquellos que no siguieron toda la historia, el ODF fue adoptado en Brasil, OpenXML rechazado aquí y simplemente no tuviéramos un papel más importante en la escena internacional, debido a que hemos sido silenciados en el último día de la BRM, justo cuando presentaríamos una propuesta que podría cambiar el final de esta historia. Ya he contado esta historia aquí.

Un agradecimiento especial a Wikileaks, por ayudarnos a sacar los esqueletos del armario. Para aquellos que quieran entender cómo se comporta y negocia Microsoft con los gobiernos que se tienen políticas pro-software libre, vale la pena leer este otro cable aquí.

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On the beginning of July, during the FISL (International Free Software Forum), in Porto Alegre, Brazil, the Brazilian Minister of Science, Technology and Innovation, Aloizio Mercadante, had a meeting with Brazillian hackers (Jon MadDog is almost Brazilian at this moment :)).

Minister Aloisio Mercadante and Brazilian Hackers


I was on that meeting, and we had the opportunity to present our FLOOS, Open Hardware and Open Standards projects and initiatives to the Minister, and talk about the ways we (as a community) are developing technology outside the traditional academic environment.

I’m very happy to see that the Minister really understood what we presented, and I’m translating bellow an article wrote by him and published yesterday (11/08/2011) at the “Folha de São Paulo” newspaper. Finally it seems that the Ministry of Science, Technology and Innovation is committed to build policies to support our work here. While some governments are fighting the hackers, the Brazilian government is managing a way to work with us all, in benefit of our society !

Here’s the Minister Aloisio Mercadante’s article:

“The reasons for the dialog with hackers

As Internet access becomes a reality in social classes, millions of new users are enjoying its facilities and transformative potential. At the same time, the society’s dependence on the network is increasing. Currently, more than a third of financial transactions are made in virtual mode, and essential services of energy, traffic and communications are increasingly dependent on it.

These sectors may suffer cyber attacks with unpredictable consequences, and also the Brazilian state needs to take precautions. Therefore, the Ministry of Science, Technology and Innovation and Ministry of Defense are working together to develop technologies that will prevent, protect or restore essential services affected by attacks of so-called crackers.

Crackers are criminals, many of whom do not even know how to program, being advanced users of software that wasn’t necessarily developed by themselves.

Hackers are people that decipher things, develop software and hardware that allow adaptation or construction of new features. In general, young self-taught individuals and creators of innovative solutions for the use of information technologies.

Almost all social relations that exists inside the society also exists on the network, including the crimes. However, we cannot start a process of freedoms restriction on the Internet and widespread criminalization, motivated by localized episodes - though of concern - nor contribute to simplify the meaning of the libertarian and transformative movement that represents the hacker community.

This movement began in the 1960s, influenced by the counterculture. The sociologist Manuel Castells in his book “The Internet Galaxy”, made it clear that the hacker culture has been one of the forming forces of the Internet. The Internet wasn’t the only model of digital network. France had the Minitel network, fully centralized and closed.

By other hand, the Internet has its distributed intelligence, is completely open, which allows hackers to continue creating innovative solutions, such as the P2P (”peer-to-peer”) networks, a system that allows information sharing by connecting two clients and transforming the client in a server and vice versa. That consolidated it as a network with no center, no owner, whose intelligence is located on users’ machines.

The experience and geniality of the code creators cannot be ignored. In early July I attended the International Free Software Forum in Porto Alegre. We have young people developing science and technology outside of academia and big corporations, ethical hackers who want more transparency and participation in their relationship with the State.

The capacity of these technology development collectives need to be recognized and encouraged, because it can generate important innovations for our country. Fortunately, the communitarian science and free technologies are advancing, helping to topple dictatorships and conservative and biased thinking.

Now, in Brazil, the hacker culture will have the support of the Ministry of Science, Technology and Innovation. We are developing a set of public policies to allow this promising community to contribute with the development of new technologies and solutions for the society.

Aloizio Mercadante, a PhD in Economics at Unicamp, is Brazilian Minister of Science, Technology and Innovation.”

Again, happy to see my country in the right path !

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En el comienzo de julio, durante el FISL (Foro Internacional de Software Libre), en Porto Alegre, Brasil, el ministro brasileño de Ciencia, Tecnología e Innovación, Aloizio Mercadante, tuvo un encuentro con los hackers brasileños (Jon Maddog es casi brasileño en este momento :)).

Minister Aloisio Mercadante and Brazilian Hackers

Yo estaba en esa reunión, donde tuvimos la oportunidad de presentarlo nuestros proyectos y iniciativas de Software Libre, Hardware Abierto, y hablar sobre las maneras pr las cuales nosotros (como comunidad) estamos desarrollando tecnología, fuera del ámbito académico tradicional.

Estoy muy feliz de ver que el Ministro entendió realmente lo que hemos presentado, y publico abajo la traducción de un artículo escrito por él y publicado ayer (11.08.2011) en el periódico “Folha de São Paulo”. Finalmente parece que el Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación se compromete a construir políticas de apoyo a nuestro trabajo. Mientras que algunos gobiernos están luchando contra los hackers, el gobierno brasileño esta buscando una forma de trabajar con todos nosotros, en beneficio de nuestra sociedad!

Aquí está el artículo del ministro de Aloisio Mercadante:

“Las razones para el diálogo con los Hackers

A medida en que el acceso a Internet se torna una realidad en todas camadas sociales, millones de nuevos usuarios están disfrutando de sus facilidades y de su potencial transformador. Al mismo tiempo, aumenta la dependencia de la sociedad en relación a la red. En la actualidad, más de un tercio de las transacciones financieras se realizan en el modo virtual, y los servicios esenciales de energía, de transito y de las comunicaciones son cada vez más dependiente de ella.

Estos sectores pueden sufrir ataques cibernéticos con consecuencias imprevisibles, y también el estado brasileño tiene que tomar precauciones. Por lo tanto, el Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación y el Ministerio de Defensa están trabajando juntos para desarrollar tecnologías que permitan prevenir, proteger o restaurar los servicios esenciales afectados por los ataques de los llamados crackers.

Crackers son delincuentes, muchos dos cuales ni siquiera saben cómo programar, siendo  usuarios avanzados de software que no necesariamente se ha desarrollado por sí mismos.

Los hackers son los que gustan de descifrar cosas, desarrollar software y hardware que permiten la adaptación o construcción de nuevas funcionalidades. En general, son jóvenes autodidactas y creadores de soluciones innovadoras para el uso de tecnologías de la información.

Casi todas las relaciones sociales que existen dentro de la sociedad también existen en la red, incluido los delitos. Sin embargo, no podemos iniciar un proceso de restricción de las libertades en la Internet y la criminalización generalizada, motivada por episodios localizados - aunque de preocupantes – tampoco contribuir con la simplificación de significado del movimiento libertario y de transformación que representa a la comunidad hacker.

Este movimiento comenzó en la década de 1960, influenciado por la contracultura. El sociólogo Manuel Castells en su libro “La Galaxia Internet”, dejó en claro que la cultura hacker ha sido una las formadoras de la Internet. La red mundial de computadores no há sido el único modelo de red digital. Francia contaba con la red Minitel, totalmente centralizada y cerrada.

La Internet tiene su inteligencia distribuida, es completamente abierta, que permite a los hackers para continuaren la creación de soluciones innovadoras, como las redes P2P (”peer-to-peer”), sistema que permite el compartimento de informaciónes mediante la conexión de dos clientes y la transformación del cliente en un servidor y viceversa.  Eso la ha consolidado como una red sin centro, sin propietario, cuya inteligencia se encuentra en las máquinas de los usuarios.

La experiencia y la genialidad de los creadores de código no pueden ser ignoradas. A principios de julio asistí al Foro Internacional de Software Libre en Porto Alegre. Tenemos jóvenes desarrollando ciencia y tecnología fuera de la academia y de las grandes corporaciones, hackers éticos que quieren más transparencia y participación en su relación con el Estado.

La capacidad creativa de estos colectivos de desarrolladores de tecnología necesita ser reconocida y incentivada, por que ella puede generar innovaciones importantes para nuestro país. Afortunadamente, la ciencia comunitaria y las tecnologías libres están avanzando, ayudando a derrocar las dictaduras y el pensamiento conservador y prejuicioso.

Ahora, en Brasil, la cultura hacker contará con el apoyo del Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación. Estamos desarrollando un conjunto de políticas públicas para que esta comunidad prometedora pueda contribuir con el desarrollo de nuevas tecnologías y soluciones para la sociedad.

Aloizio Mercadante, PhD en Economía por Unicamp, es el ministro brasileño de Ciencia, Tecnología e Innovación “.

Una vez más, feliz en ver a mi país en el camino correcto!

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Acredito que muita gente já está sabendo no dia 1 de junho a Oracle anunciou a doação do código fonte e da licença de marca do OpenOffice.org para a Fundação Apache. Inicialmente o projeto foi recebido pela incubadora da Apache, e logo após o anúncio a discussão começou por lá.

Eu estou acompanhando e participando das discussões na lista da incubadora da Apache desde o primeiro dia, e me inscrevi como commiter do projeto logo no início. Para terem uma ideia melhor do que significa “acompanhar” a lista de discussões da incubadora da apache, tivemos um pico de quase 400 e-mails por dia durante o primeiro final de semana de discussões (sim, quase 800 e-mails para ler em um final de semana).

Após alguns dias de discussão, na última segunda feira (13/06) o projeto foi aceito por ampla maioria na incubadora da Apache e é agora um projeto incubado (chamado de podling dentro da Apache), e temos muita gente trabalhando bastante por lá para que ele se torne um projeto graduado em breve. A proposta de projeto pode ser acessada aqui, e a página do projeto incubado aqui. Como podem ver, ainda estamos acertando toda a infra do projeto por lá, e muitos dos commiters citados na proposta ainda não efetivaram suas contas, processo que deve levar mais alguns dias (a minha mesmo está na etapa final).

Gosto de ver que temos atualmente no projeto muita gente nova e disposta a ajudar, mas também muita gente que trabalha no software desde os anos 90, ex funcionários da Star Division (onde o StarOffice foi criado), Sun e Oracle, agora contribuindo de forma individual. São pessoas que passaram grande parte da sua vida trabalhando neste projeto e portanto para eles este não é “mais um” projeto… Acredito que o compartilhamento e o nivelamento de conhecimentos por lá será grande, e isso vai reduzir bastante a curva de aprendizado para os “novatos” como eu no projeto.

Não vou discutir aqui a decisão da Oracle de doar o código para a Fundação Apache ao invés de entregar a outra fundação qualquer (como a The Document Foundation, que mantém o LibreOffice), muito menos sobre a especulação de que a IBM está por trás desta iniciativa (estes foram tópicos mais do que debatidos durante os primeiros dias de discussão, dado que muita gente foi pega de surpresa pelo anúncio).

Não entro nestes detalhes, pois acredito que seja perda de tempo discutir o passado, e prefiro encarar as coisas desta forma:

- A Oracle doou o código e a licença de marca à Apache, e isto é um fato.

- Pelo que sei sobre a estrutura decisória dentro da Oracle, a única lei que vale por lá é a “Lei de Ellison” e portanto duvido que IBM ou qualquer outra empresa tenha tanto poder de influência assim sobre eles.

Falando em Ellisson, escrevi um artigo há alguns meses com minhas impressões sobre ele e sobre o “mal” que ele poderia fazer a todo o eco sistema FLOSS, e vejo que a doação agora em questão minimiza um pouco este dano. Se olharmos as possibilidades, a Oracle podia muito bem ter decidido simplesmente enterrar o projeto e sua licença de marca.

Deixando de lado o passado, evitando discussões que literalmente não vão nos levar a nada e só nos causar perda uma de tempo e de talento enorme (além de deixar algumas cicatrizes complicadas), quero falar um pouco aqui sobre os motivos que me fazem acreditar que o Apache OpenOffice.org pode sim ser uma excelente notícia para toda a comunidade.

Um dos artigos que resume muito bem algumas coisas que penso a este respeito foi escrito pelo Rob Weir em seu blog, e o recado lá pode ser resumido de forma bem rápida:  A real disputa de mercado não é entre a suíte de escritório em FLOSS A, B ou C, mas entre as suítes de escritório em FLOSS e a suíte de escritório proprietária que ainda reina absoluta no mercado. No final das contas, a disputa aqui é entre a proliferação e adoção maciça do padrão ODF versus os padrões proprietários e o nosso velho amigo OpenXML (que aliás está agora em uma fase bem complicada, uma vez que a Microsoft perdeu o processo para a i4i na Suprema Corte Norte Americana há alguns dias).

Eu acredito que o Apache OpenOffice.org (AOOo a partir de agora neste texto) possa se tornar em breve algo como um “kernel” de suíte de escritórios que poderá ser reutilizado por diversas empresas e organizações em pessoas no mundo todo. Poderá ser utilizads como está, ou  complementada com outras funcionalidades.

Imagino um futuro do AOOo, muito parecido com o próprio kernel Linux, mantido e desenvolvido de forma colaborativa por uma fundação, utilizado por comunidades e empresas no mundo todo para a criação de “distribuições” específicas para cada necessidade ou nicho de mercado.

Não vou entrar aqui na discussão filosófica sobre a Licença Apache V2 versus a GPL, pois como já disse, o OOo na Apache é fato consumado, mas entendo que o resultado de mercado será a participação de mais empresas no ecossistema e a volta real de competitividade na indústria de suítes de escritório.

Isso para mim é algo inédito na indústria de TI, pois devido ao monopólio de fato de mercado vivido na área, pode-se considerar que a indústria de suítes de escritório praticamente foi extinta há alguns anos, e foi o OpenOffice que de fato evitou a extinção deste setor. A ida do projeto para a Apache, na minha opinião, vai agir como um catalizador e permitir que a competição realmente volte a existir neste setor, que agora renasce das cinzas através de um “core” em Open Source.

Olhando finalmente para o projeto, eu acredito que o código fonte do AOOo poderá ser reestruturado para que possamos ter uma arquitetura que permita sua reutilização por outros projetos (como o próprio LibreOffice) de forma bem modularizada. É como uma loja de componentes eletrônicos, onde você escolhe os componentes que quer (ou precisa) utilizar, integra-os de forma a atender às suas necessidades (ou às necessidades de seus usuários) e faz o que bem quiser com o produto final. Gosto da licença permissiva da Apache de, pois na realidade a imensa maioria dos desenvolvedores que estão por lá querem na verdade uma única coisa: Que o software seja utilizado no mundo todo !

Com base nesta ideia de modularizar o software, eu elaborei o diagrama abaixo que é a minha visão de onde poderemos chegar um dia com o projeto. Reforço aqui que esta é a minha visão e de forma alguma a visão dos demais membros do projeto, e uma vez que uma das regras por lá é “é mais fácil pedir desculpas do que autorização”, publico a minha ideia aqui no meu blog sem ter discutido ela com ninguém por lá.

 

Acredito que termos um core com as funções primordiais das aplicações da suíte é algo extremamente óbvio, e também é óbvio imaginar que este core não é um bloco monolítico como representado neste diagrama, mas a ideia aqui é mostrar que todos os objetos e funções de processamento dos documentos em memória fiquem centralizados em um único local.

Gosto da ideia de separar a interface gráfica do projeto (GUI) do restante, pois podem existir requisitos ou casos de uso onde uma interface simplificada ou diferenciada seja necessária.

A existência de um mecanismo para extensões e plug ins bem definido é fundamental para que se possa complementar o software com qualquer extensão necessária, e normalmente estas extensões atendem a requisitos de um grupo de usuários específicos, como o verificador gramatical da Língua Portuguesa. É através deste mecanismos que veremos inovações serem incorporadas ao projeto com a velocidade da luz, e tenho plena confiança de que a comunidade de FLOSS vai se beneficiar disso, uma vez que o conhecimento técnico e o tempo necessário para escrever uma extensão são infinitamente menores do que o conhecimento e tempo necessários para modificar o “core” da suíte de escritório.

Linguagens de script são muito utilizadas hoje em dia, e tenho certeza que a linguagem de script da moda daqui a cinco anos ainda não foi criada. Por isso mesmo eu acredito que um mecanismo de suporte a scripts seja interessante, pois através dele será possível a utilização de scripts em diversas linguagens manipulando objetos e funções dentro do AOOo.

O Ooo já possui o UNO, um conjunto de APIs muito utilizado por diversos desenvolvedores, e acredito que ele deve ser continuado e complementado, dado que existem atualmente diversos casos de uso onde sua utilização é fundamental (um deles: usar o Ooo como servidor para conversão de documentos).

Gosto de ideia de ter o ODF Toolkit desenvolvido junto com o OOo dentro da Apache, mas esta decisão ainda não foi tomada por lá. Para quem não conhece, o ODF Toolkit é um conjunto de ferramentas e bibliotecas desenvolvidas há alguns anos para a manipulação de documentos ODF sem a dependência de uma suíte de escritório.

Para que possamos ler e escrever os documentos, os filtros são mais do que necessários, e vale a pena lembrar de que funções como Assinatura Digital e Criptografia podem ser feitas nesta camada.

Temos ainda a necessidade de ter a documentação do projeto bem elaborada, de manter o suporte nele a diversos idiomas e gosto da possibilidade de podermos fazer um “rebrandind” do software todo. Esta ideia do “rebranding” é basicamente centralizar todas as strings com o nome do produto (ex “Apache OpenOffice.org”) em um único local, pois se amanhã eu quiser utilizá-lo para gerar o “Jomar’s Office” ou a TDF decidir usa-lo como base do “LibreOffice”, tudo seja feito de forma simplificada.

Quando pensei nesta proposta de arquitetura, pensei ainda na forma pela qual poderemos organizar o desenvolvimento do software, uma vez que em cada uma destas caixinhas existem conhecimentos e expertise específicos e com isso, poderemos manter desenvolvedores focados em pontos específicos do desenvolvimento (cada um dá o seu melhor naquilo que gosta e é capaz de fazer), e ainda conseguiremos manter tudo funcionando de forma integrada.

Não coloquei ali nenhuma atividade referente a marketing, treinamento e suporte, pois acredito de verdade que estas são três funções específicas de cada país e para cada caso de uso da suíte, sendo funções muito dependentes da cultura local, e portanto, defendo o modelo onde os projetos nacionais sejam mantidos “como sestão” e que tenham representantes trabalhando de verdade dentro da Apache. O mesmo raciocínio vale para os esforços de localização do produto.

Para concluir, eu acredito que estamos nos arrumando na nova casa para poder trabalhar nas próximas décadas com o OpenOffice, e acredito que toda a indústria vai se beneficiar deste novo arranjo. Entendo e respeito a chateação de algumas pessoas e grupos neste processo de transição, mas não tenho dúvidas de que o bom senso vai prevalecer e que vamos unir as forças para continuarmos nossa batalha.

Algumas pessoas já me perguntaram o que exatamente eu quero fazer por lá, e a resposta é simples: quero fazer o que eu PUDER e o que o projeto PRECISAR. Ajudar é atender à necessidade do outro, e não agir de acordo com a sua própria vontade (se conseguir conciliar ambos, perfeito !)

Estarei palestrando no FISL 12 no final deste mês, e não consegui um espaço na grade do evento para tratar do Apache OpenOffice.org especificamente, mas estarei por lá durante todo o evento pronto para discutir o projeto com quem tiver interesse em participar. Estou também à disposição aqui no Blog para qualquer esclarecimento necessário, e convido a todos a participar conosco neste projeto.

PS.: Não vou responder questões filosóficas nem sobre os “por quês” do passado nos comentários. Se pensa em tocar nestes assuntos aqui, por favor leia isso antes. Já aprendi uma lição valiosa na Apache: por lá, troll ganha crachá bem rápido !

ATUALIZAÇÃO: A página com as informações sobre como participar do projeto pode ser encontrada aqui. Bora trabalhar !

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I believe that most people already know that on June 1st, Oracle announced the donation of the OpenOffice.org source code and trademark to the Apache Foundation. Initially the project was received by the Apache incubator, and the the discussion started there shortly after the announcement.

I’m following and participating in discussions since the first day at the Apache Incubator mailing list, and I signed up as a committer early in the project. To have a better idea of what it means to “follow” the discussion list of the Apache incubator, the list had a peak of nearly 400 emails per day during the first weekend of discussions (yes, almost 800 emails to read over a weekend).

After several days of discussion, on last Monday (06/13) of the project was accepted by a large majority at the Apache Incubator and it’s now an incubated project (named podling at Apache), and we have many people working hard out there for it to become a graduated project. The project’s proposal can be accessed here, and the incubated project page here. As you can see, we’re still setting up all the infrastructure of the project over there, and many of commiters cited in the proposal doesn’t have yet their accounts, a process that should take a few days to be concluded.

I’m happy to see that we now have many “new people” in the project and willing to help, but also many experienced contributors, working with the software since the 90’s, former employees of the Star Division (where StarOffice was created), Sun and Oracle, now contributing individually. These are people who spent much of their lifes working on this project and therefore it isn’t “just another project” for them… I believe that the level of knowledge sharing will be very high, and this will greatly reduce the learning curve for “newbies” in the project (like myself).

I will not discuss here the Oracle’s decision to donate source code and trademark to the Apache Foundation rather than to any other foundation (such as The Document Foundation, which maintains LibreOffice), much less on speculations that IBM were behind this decision (these topics were discussed during the first days of discussion at the Incubator mailing list, mostly because many people were caught “off guard” by the announcement ).

I’ll not enter on these details, because I believe that, at this point, discuss the past it’s a waste of time and I prefer to look at things this way:

- Oracle has donated the OpenOffice’s source code and trademark to the Apache Foundation, and that’s a fact.

- From what I know about the decision-making structure within Oracle, the only law that applies there is the “Ellison’s Law” and therefore I doubt that IBM or any other company has as much power of influence over them.

Speaking of Ellison, I wrote an article several months ago with my impressions about him and “evil” that he could do the whole FLOSS ecosystem, and for me the donation made here minimizes the damage. If we look at the possibilities, Oracle might well have decided to simply bury the project and its trademark.

Leaving the past aside, avoiding discussions that literally will lead us to nowhere and  cause us a loss of time and talent (and leave some complicated scars), I would like to talk a little bit here about the reasons that makes me believe that Apache OpenOffice.org may indeed be good news for the whole community.

One article that pretty much sums up some things that I think about the whole issue, was written by Rob Weir in his blog, and the message there can be summarized quite rapidly: A real market dispute isn’t in between the FLOSS office suite in A, B or C, but between the FLOSS office suites and the proprietary office suite that still reigns in the market. Ultimately, the dispute here is between the proliferation and worldwide adoption of the ODF standard versus proprietary standards and our old friend OpenXML (which incidentally is now at a very complicated stage, since Microsoft lost the i4i law suit at the US Supreme Court a few days ago).

I believe that Apache OpenOffice.org (AOOo for now on on this blog post) may soon become something like an office suite “kernel” the that can be reused “as is” or complemented with other features by people in various companies and organizations around the world.

I can imagine AOOo in a future acting much like the Linux kernel itself, maintained and developed collaboratively by a foundation, used by communities and businesses worldwide to create “distributions” for each specific need (or market).

I will not here enter into the philosophical discussion about the Apache License versus the GPL because as I said, OOo in Apache is a fait accompli, but I understand that the market outcome of that will be the participation of more companies in the ecosystem and the return of the real competitiveness at the office suites industry.

BTW, this is to me something inedited at the IT industry, because due to the de facto monopoly actually lived at the market, we can consider that the office suite industry was almost extinct a few years ago, and OpenOffice was probably “the thing” that avoided the complete extinction. OpenOffice.org move to Apache, in my opinion, will act as a catalyst on this process and will enable the real competition again in this sector, now reborn from the ashes through a Open Source “core”.

Finnally looking at the project, I believe the AOOo source code can be restructured so we may have in the future an architecture that allows reuse by other projects (as the LibreOffice) in a modularized fashion. It’s like an electronics store, where you choose the components you want (or need) to use, integrates them to meet your needs (or the customr’s needs) and do whatever you want with the final product. I like the Apache license permissive approach, because the vast majority of developers who are out there working at the project actually want just one thing: See the software being used worldwide!

Based on this idea of a modularized software, I worked out the diagram below that is my vision of where we can go one day with the project. I’ll reinforce here that this is my view and in no way the view of other members of the project, and once one of the rules at Apache is “is easier to apologize than to ask permission” I’ll publish my idea here in my blog without have discussed it with anyone there.

Jomar’s idea on a possible Apache OpenOffice.org architecture

I believe a core with the core capabilities of the office suite is extremely obvious, and it is also obvious to imagine that this core is not a monolithic block as represented in this diagram, but the idea here is to show that all functions and objects of the document processing remain centralized in one location.

I like the idea of separating UI design (GUI) of the rest, since there may be requirements or use cases where a simplified interface or a different one is needed.

The existence of a mechanism for extensions and plug-ins is critical to complement the software with any extent necessary, and usually these extensions meet the requirements of a specific group of users, such as the Portuguese language grammar checker. It is through this mechanism that we will see innovations being incorporated into the project with the speed of light, and I have full confidence that the FLOSS community will benefit from this, since the technical knowledge and time required to write an extension is infinitely smaller than knowledge and time needed to modify the “core” of the office suite.

Scripting languages are widely used today, and I’m sure the scripting language “on fashion” in five years hasn’t yet been created. For this reason I believe that a mechanism for scripting support is interesting, because it will be possible through the use of scripts in various languages to manipulating objects and functions within the AOOo.

The UNO is already at OOo, a set of APIs widely used by many developers, and I believe it should be continued and complemented, as there are currently several use cases where its usage is crucial (eg: use OOo as a server for documents conversion).

I like the idea of having the ODF Toolkit developed within the Apache OOo, but this decision has yet been taken there. For those unfamiliar, the ODF Toolkit is a set of tools and libraries developed to handle ODF documents without relying on an office suite.

In order to read and write documents, filters are more than necessary, and it is worth remembering that functions as a Digital Signature and Encryption can be done in this layer.

We still need to have a well prepared project documentation, to keep the multiple languages support and I enjoy the possibility of having an easy way to do the “rebrandind” of the software. This idea of “rebranding” is basically to centralize all strings with the product name (eg “OpenOffice.org Apache”) in one place, and if tomorrow I want to use it to generate the “Jomar’s Office” or if the TDF decide to use AOOo as the basis of “LibreOffice,” everything is done in a simplified manner.

When I thought about this architecture proposal, I also thought in how we organize the software development, seeing that each of these boxes there are specific knowledge and expertise needed and thus, we can keep developers focused on specific points of development (each one gives his best where they fell comfortable and capable to work) and we still being able to keep everything running seamlessly.

I didn’t put there any activity related to marketing, training and support, because I believe that these are specific functions of each country and each use case of the suite, being  features heavily dependent on local culture and language, and therefore I think in a model where national projects are kept “as is” and they could have liaisons working within the Apache. The same reasoning applies to localization efforts of the product.

To conclude, I believe that we are arranging the new house to be able to work in the coming decades with OpenOffice, and I believe that the entire industry will benefit from this new arrangement. I understand and respect the annoyance of some people and groups in this transition process, but I have no doubt that common sense will prevail and we will join forces to continue our battle.

Some people have asked me what exactly I want to do there, and the answer is simple: I’ll do what I can and what the project needs. To help means to meet the needs of others and not act according to our own will (if you manage to achieve both, perfect !).

I will be speaking at FISL 12 later this month in Brazil, and I couldn’t get a space in the event to handle the Apache OpenOffice.org specifically (timing issue), but I’ll be there throughout the event ready to discuss the project with those interested in participating. I am also available here on the blog for any necessary clarification, and I invite everyone to join us in this project.

PS.: No, I will not answer philosophical questions about the “whys” of the past in the comments. If you plan to touch on these issues here, please read this before you do. I’ve learned a valuable lesson in Apache: there, troll wins a cool badge real quick!

UPDATE: The page with the instructions for people that would like to join us on the project can be found here.

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Nos últimos anos eu acompanho o desenvolvimento e a adoção de padrões abertos internacionalmente, e de alguns meses para cá, comecei a notar algumas estranhas movimentações e por conta delas decidi escrever este texto.

Existem dois fatos inegáveis no mundo da tecnologia da informação hoje em dia, que muitas vezes acabam sendo esquecidos no nosso dia a dia:

Empresas são monopolistas por natureza e a dependência tecnológica é a base do modelo econômico da indústria de tecnologia da informação.

O desenvolvimento de padrões tende sempre a comoditizar a indústria e por isso mesmo usualmente são desenvolvidos pelas empresas que dominam os mercados, e o fazem de forma preventiva. Quando estas não tomam a iniciativa da padronização, acabam vendo suas concorrentes mobilizando a cauda longa para que desenvolvam em conjunto o padrão e este quadro alternativo costuma ser o cenário típico do desenvolvimento de padrões abertos.

Os governos do mundo todo usualmente são os grandes demandadores da indústria de tecnologia da informação e seu poder indutor nesta indústria é crucial.

Foi assim que vimos um boom no desenvolvimento de padrões abertos, em grande parte demandado por governos do mundo todo (com destaque à União Européia), que perceberam o elevado grau de aprisionamento em que se encontravam e em que colocavam grande parte das empresas e cidadãos em seus países.

A indústria agiu rapidamente e tivemos inúmeros comitês nos últimos anos trabalhando no desenvolvimento de padrões abertos em tecnologia da informação, o que ocasionou verdadeiras guerras de padrões no mundo todo.

Em alguns países, a adoção de padrões abertos se deu de forma mais acelerada enquanto outros ainda debatem sobre quais padrões adotar, e como sempre este atraso no debate atende a interesses econômicos importantes.

O que noto com grande tristeza, é que existe uma sensação no ar de “batalha vencida” por parte de diversos governos e isso tem levado-os a não considerar mais a adoção dos padrões abertos como algo prioritário, mas como uma atividade corriqueira, como se tudo já estivesse concluído. Não canso de ver gente falando por aí: Isso aí é batalha ganha…

O resultado deste sentimento na indústria, é que muitas empresas já não tratam também o desenvolvimento de padrões abertos como algo prioritário e portanto, corremos o sério risco de ver padrões que levaram anos para ser desenvolvidos e adotados serem abandonados nos próximos anos.

A alegação que mais ouço das empresas sobre isso é que os governos deveriam trabalhar para a manutenção e o desenvolvimento dos padrões, e do lado dos governos, tenho ouvido com frequência que esta é uma função primordial da indústria… É assim que estamos caminhando a um perigoso jogo de gato e rato !

Por este motivo, eu alerto aos governos do mundo todo que cobrem cada vez mais a utilização de padrões abertos pela indústria de tecnologia da informação, e que cumpram com seu papel de fomentar o desenvolvimento de padrões abertos, principalmente através de casos de uso e de demandas do mundo real.

Lembro-lhes que as empresas em geral só enxergam lucro financeiro, enquanto os governos deveriam se preocupar com o lucro social, e sem a adoção de padrões abertos em TI, o acesso igualitário à informações e serviços públicos por meio eletrônico não são possíveis.

É importante ainda lembrar que em tempos de computação em nuvem, os padrões abertos são mais essenciais do que nunca, uma vez que a armadilha de aprisionamento aqui está na saída e não na entrada.

Desenvolver padrões abertos demanda muito mais tempo e recursos do que desenvolver padrões proprietários, além de comoditizar a indústria, dificultando o lucro fácil e imediato. Se deixarem esta decisão na mão das empresas, não se surpreendam com o resultado final.

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In recent years I’ve been  following  the development and adoption of open standards internationally, and few months ago, I began to notice some strange movements and on behalf of them decided to write this article.

There are two undeniable facts in the information technology industry today, which often end up being forgotten in our day by day activities:

Corporations are monopolistic by nature and technological dependence is at the base of the  information technology industry  economic model.

The development of standards always tends to commoditize the industry and this is why they usually are developed by companies that dominate the market, and they do so in a preventive manner. When they don’t take the standardization initiative, they end up seeing their competitors mobilizing  the “long tail” to jointly develop the standard and this alternative scenario tends to be the typical scenario of the open standards development.

Governments around the world are usually represent the largest demand at the information technology industry and their inductor power in this industry is cruscial.

That’s how we saw a boom on the open standards development in the past years, demanded by many governments around the world (with emphasis on the European  Union), who realized the high level of lock in that they were in, and put in most companies and citizens on their countries.

The industry moved quickly and we saw several committees in recent years working on open standards development in IT world, which led to real worldwide standards wars.In some countries, the open standards adoption were more accelerated while others still debating about which standards to adopt, and we all know that this delay on the debates serves some important economic interests.

What I note with great sadness is that there is a “Battle Won” feeling in the air of several governments and this has led them to not consider further the open standards adoption as a priority,but as a commonplace activity, as if everything had been completed. I’m tired of seeing people talking out there: This is a won battle …

The result of this feeling in industry, is that many companies don’t treat  the development of open standards as a priority anymore and therefore, we run the serious risk of seeing standards that took years to be developed and adopted to be abandoned in the next years.

The claim that I most hear from companies about this, is that governments should work for the maintenance and development of standards, and from the government side,  I often hear that standards development is a primary function of the industry … This is how we are going to a dangerous cat and mouse game !

For this reason, I would advise the governments around the world to demand even more the adoption of open standards from the IT industry, and also fulfill the governmental role of promoting the development of  open standards, mainly sharing use cases and real world demands with open standards development bodies and committees.

I remind you that companies usually only care about financial profits,  while governments should care about their social profit, and without the adoption of open standards in IT world, the equal access to public services and information through electronic means aren’t possible.

It’s also important to remember that in times of cloud computing, the open standards are more essential than ever, since the imprisonment trap here is at the exit door.

The development of truly open standards demands more time and resources than the development  of proprietary standards, and they also commoditize the industry, making it difficult to get easy and immediate profits. If you leave this decision to corporations, do not be surprised with the final outcome.

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En los últimos años he estado siguiendo el desarrollo y la adopción de estándares abiertos a nivel internacional, y hace unos meses, empecé a notar algunos movimientos extraños y en nombre de ellos he decdido escribir este artículo.

Hay dos hechos innegables en la industria de tecnología de la información hoy en día, que a menudo acaban siendo olvidados en nuestras actividades del día a día:

Las corporaciones son de monopólicas por naturaleza y la dependencia tecnológica está en la base del modelo económico de la industria de tecnología de la información.

El desarrollo de los estándares siempre tienden a generar comoditización en la industria y por eso que en general los estándares son desarrollados por empresas que dominan el mercado, y lo hacen de manera preventiva. Cuando no toman la iniciativa de normalización, terminan viendo a sus competidores hacer la movilización de la “larga cola” para desarrollar conjuntamente el estándar y este escenario alternativo tiende a ser el escenario típico del desarrollo de estándares abiertos.Los gobiernos de todo el mundo representan la mayor demanda en la industria de tecnología de la información y su poder inductor en esta industria es cruscial.

Por eso hemos visto un boom en el desarrollo de estándares abiertos en los últimos años, exigidos por la grand parte de los gobiernos de todo el mundo (con énfasis en la Unión Europea), que se han dado en cuenta su el alto nivel de lock-in tecnológico, para lo cual han alistado la mayoría de las empresas y los ciudadanos en sus países.

La industria se movió rápidamente y vimos varios comités en los últimos años trabajando en el desarrollo de estándares abiertos en el mundo de TI, lo que hasta ha conduzido algunas guerras de estándares en todo el mundo.

En algunos países, la adopción de estándares abiertos fué más acelerada, mientras que otros siguen debatiendo acerca de cuales normas a adoptar, y todos sabemos que este retraso en los debates sirve a intereses económicos importantes.

Lo que observamos con gran tristeza es que hay una sensación de “batalla ganada” en el aire de varios gobiernos y esto los ha llevado a no seguir con la adopción de estándares abiertos como una prioridad, sino como una actividad común, como si todo se había terminado. Estoy cansado de ver a la gente hablando por ahí: Esta es una batalla ganada …

El resultado de este sentimiento en la industria, es que muchas empresas no consideran más el desarrollo de estándares abiertos como una prioridad y por lo tanto, corremos el grave riesgo de ver los estándares que han llevado años para ser elaborados y adoptados, ser abandonados en los próximos años.

La afirmación que más escucho de las empresas acerca de esto, es que los gobiernos deben trabajar para el mantenimiento y desarrollo de normas, y desde el lado del gobierno, a menudo escucho que el desarrollo de estándares es una función primaria de la industria… Así es como vamos a un peligroso juego de gato y el ratón!

Por esta razón, yo aconsejaría a los gobiernos de todo el mundo para exigir aún más la adopción de estándares abiertos de la industria de TI, así como cumplir con la función gubernamental de promover el desarrollo de estándares abiertos, principalmente a través del intercambio de casos de uso y de las exigencias del mundo real con los organismos y comités que desarrollan estándares abiertos.

Les recuerdo que las empresas por lo general sólo se preocupan con sus lucros financieros, mientras que los gobiernos deben preocuparse por sus lucros sociales, y sin la adopción de estándares abiertos en el mundo de TI, la igualdad de acceso a los servicios y las informaciónes públicas a través de medios electrónicos no son posibles.

También es importante recordar que en tiempos de la computación en nube, los estándares abiertos son más esenciales que nunca, ya que la trampa de aprisionamiento aquí está en la puerta de salida.

El desarrollo de estándares verdaderamente abiertos exige más tiempo y recursos que el desarrollo de las estándares privativos, y también promoven la comoditización en la industria, haciendo con que sea más difícil obtener lucros fáciles e inmediatos. Si dejan esta decisión a las empresas, no se sorprendan con el resultado final.

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