Uma matéria-prima abundante, e de baixo custo é a biomassa celulósica das plantas. Uma alternativa útil para a produção de químicos e combustíveis, uma vez que não são utilizados para a alimentação humana.
Todavia, o custo para essa produção a partir da biomassa celulósica é altíssimo, devido os pré-tratamentos e hidrólises enzimáticas.
Na tentativa de diminuir esse pré-tratamento e os custos, uma alternativa potencial seria a expressão, na planta, de enzimas que degradam a parede celular (CWD, cell wall-degrading), tais como as xilanases. Mas, sabe-se que isso poderá afetar a estatura das plantas, baixa produção de sementes e germinação, redução na fertilidade, uma susceptibilidade à doenças, e baixa produção.
Assim, para neutralizar esse efeitos adversos, mantendo os benefícios potenciais, pesquisadores desenvolveram um splicing de inteínas termoregulado para controlar a atividade de uma xilanase hidrolitíca em milho.
O artigo foi publicado, hoje, na Nature biotechnology e na Science:
Como ocorre em um splicing de RNA, mas diferentes dos íntrons, as inteínas são elementos genéticos encontrados dentro de seqüências codificadoras de proteínas e que são traduzidos juntamente com a proteína hospedeira. Após tradução, a Inteína é capaz de se auto-remover estabelecendo uma ligação peptídica entre os segmentos flanqueadores (Exteínas) da hospedeira gerando, em conseqüência, uma Exteína madura e uma Inteína livre.
No estudo, foi utilizado uma inteína que se auto-remove em resposta à temperatura.
(A) Diagnóstico em placas de agar para validação da xilanase candidata; XynB, xilanase nativa; pBluescript, sem xilanase; Ser158, xilanase variante com a inteína nativa; Ser158-3108, xilanase variante com mutação R51G da inteína; Thr134-1101, mutação dupla. (B) Termoregulação da iXynB. Vários representativos das variantes iXynB. (diferentes mutações nas inteínas e xilanase)
Essa modificação da xilanase com inteínas (iXynB) assegurou que sua atividade em plantas transgênicas de milho somente ocorresse após um pré-tratamento à 60°-70°C. Como visto na figura abaixo o splicing da inteína ocorre em temperatura alta, dando como produto a xilanase 40Kd (XynB).
(b) Splicing iXynB. Western Blot após pré-tratamento de aquecimento do lisado celular. Temperatura e tempo estão mostrados.
A utlização dessa engenharia com inteína, possiblitou uma neutralidade dos efeitos não-desejados com o uso da expressão constitutiva da proteína nativa xilanase. As sementes das plantas transgênicas de milho iXynB apresentaram o mesmo fenótipo das plantas milho (wt). Enquanto apenas 8,3% das sementes das plantas transgênicas XynB germinaram, 91,7% das sementes das plantas com iXynB germinaram, contra 83,5% das sementes das plantas (wt).
Desenvolvimento das sementes iXynB e XynB. (A) Morfologia das sementes transgênicas xynB, ixynB, e milho (wt). (B) Biomassa das sementes.
Sob condições de pré-tratamento, um aumento de 20% sob o mesmo processo realizado em plantas de milho (wt) foi obtido com esse sistema iXynB, aliado ainda, ao baixo-custo necessário para a produção.
Produção de Glicose e xilose a partir de xynB e ixynB. (A) As plantas foram processadas e avaliadas usando cocktail que ou incluia (FCt) ou excluía (Ct-Xyl) xilanase. (B) e (C) Pré-tratamento das plantas incluindo o cocktail de enzima cmo xilanase (FCt).