Lançamento de Desterro - A nova obra de Ferréz e De Maio
Um quadro sem retoques da dura vida nas quebradas paulistanas. É o que nos apresenta a HQ Desterro. O texto visceral do escritor Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz (o polêmico autor de Capão Pecado e dos roteiros do seriado 9mm da Fox), enriquecido pelo traço intenso e realista do quadrinista Alexandre de Maio, nos leva para um mergulho profundo e, por vezes aterrador, em uma São Paulo desorientada, caótica, carente e extremamente violenta.
Trata-se da cidade real, mas com foco ampliado. Nua e com suas feridas e mazelas expostas. Um lugar estranho de mundos sobrepostos. O crime, a policia corrupta, o dinheiro, a miséria, o amor e a solidão. “A história mostra que não é preciso morrer para ser enterrado em São Paulo”, afirma Ferréz. Resultado de quatro anos de trabalho da dupla Ferréz e De Maio, Desterro tem a qualidade dos melhores quadrinhos da Marvel, mas com a cara do Capão Redondo.
A HQ Desterro marca o lançamento do selo Contraculturas, editado pelo jornalista Carlos Minuano e publicado pela Anadarco Editora. Ecoando as vozes da periferia, Ferréz e De Maio deram vida a uma epopeia essencialmente contracultural, recheada com uma galeria de banidos que se equilibram na perigosa corda bamba dos autênticos desterros modernos, as periferias das grandes cidades.
Lançamento de Desterro - São Paulo em Quadrinhos
Ferréz e De Maio finalmente lançam sua HQ no dia 23 na Livraria HQ Mix, o point dos quadrinhos em São Paulo.
Uma grande festa, onde os quadrinhos nacionais se mesclam com a Literatura Marginal desses autores.
Foram 6 anos de trabalho, onde Ferréz fez o argumento e Alexandre de Maio fez os desenhos, num trabalho único na cena Brasileira.
A obra que já foi chamada de 1000 fita, agora chama-se Desterro, e contém o primeiro capítulo que já tinha sido lançado pela Pixel a alguns anos, agora Desterro reúne toda o arco de histórias de Igordão e Xela, em mais de 150 páginas de quadrinhos.
Não perca o lançamento, pois a obra estará em preço promocional para o dia do lançamento e estará nas livrarias só depois de algumas semanas.
U corre num pára
Jardim Guacuri Lotado numa super festa.
Recitei vários textos, e a galera mantinha um silêncio impressionante, uma prova da vontade de querer a informação como cura.
Senac Itaquera, uma super palestra.
O local que era grande se tornou pequeno, a leitura do livro Deus foi almoçar provocou várias perguntas, e todo mundo reclamou quando o tempo esgotou, valeu Itaquera em breve estaremos de volta.
E para terminar a semana, nesse sábado fizemos um evento no Interferência, ong que fundei em 2009 no Jardim Comercial.
O dia foi marcado para as crianças apresentarem a música que elas mesmas compuseram.
De lugar em lugar, levar a palavra e o estímulo a leitura tem sido uma missão de vida que cumpro com muito orgulho.
Na saída do palco a prova que o povo da quebra gosta de literatura, foram dezenas de autógrafos.
E tem mais, dia 23 estamos montando um super lançamento para o meu novo trabalho junto com Alexandre de Maio, a Litera-rua Não Pára.
Música do Interferência
Nesse sábado a criançada do Interferência vai fazer apresentação do Hino que eles criaram junto com a Tia Nice.
Da hora é ver um projeto que muitos duvidaram que fosse se realizar, mas muitos mais somaram para que ele exista a cada dia.
148 abraços por dia, um belo pagamento nesses dias cinzentos.
www.onginterferencia.blogspot.com
veja o video e ajuda o trabalho do Interferência.
onginterferencia@bol.com.br
Polícia que Massacra.
A contagem de corpos continua, essa madrugada, 6 mortos, entre eles 2 moradores de rua, é fácil, eles deviam ser do PCC, estavam despistando morando na rua a tantos anos.
A covardia vai sempre para os mais fracos, e quem pode falar não deve ficar em silêncio, cadê o amor a periferia? Nessa hora que somos mais úteis, mais nescessários, e temos que fazer nossa parte.
Um jovem de 19 anos na Zona Sul, um carro preto disparando, o mesmo perfil, pistola 380, mais uma mãe que chora.
Lá na zona Oeste um homem fechando o bar, o mesmo carro preto e três homens atirando.
Alckimin em suas declarações deu o ponto de resposta da polícia, e quem paga é o povo, ou vocês francamente acham que tem algum grande criminoso na favela de Paraisópolis que foi ocupada e está sendo martirizada nesse momento?
São 600 homens da Tropa de Choque da PM. O objetivo é asfixiar o tráfico de drogas e causar prejuízos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação na segunda maior favela de São Paulo deve durar pelo menos um mês.
para de fato causar algum prejuízo tinha que ter a mesma quantidade de homens no Alto de Pinheiros, na Oscar Freire e na Vila Olympia.
O que está acontecendo é que as execuções de policiasi são seguidas por ações de "grupo de extermínios" que saem atirando em bares, suspeitos, supostos criminosos ou qualquer um que pareça suspeito, tiver de boné e se for negro piorou, 6 pessoas foram mortas, ontem foram 8, todos periféricos, reféns da pobreza, mortos por estar na periferia.
Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não morreram em área nobre, não tinham sonhos, nem futuro.
A investigação vai seguir também da mesma forma, sem dar importância, colocando todo mundo no mesmo pacote.
Os rostos ricos, brancos, bem nutridos dos jornalistas continuam repetindo a mesma morte de PM para comover a massa e legitimar a ação covarde do Governo.
Tentativas (Ferréz)
Tentativas
Música do Nazareth se mistura com o que tenho que escrever, noite de balada para uns, noite de balada de certa forma para outros.
A rádio some e finalmente os pensamentos se soltam, disparam como a turnê de Clapton em 2001 vista num dvd pirata comprado no Jardim Comercial, numa barraca abarrotada de lançamentos e catálogos, todos devidamente separados por nomes e fichas internas, não foi lá que tive o prazer de adquirir Floyd, depois de tantos anos saiu em dvd o Pulse, e por mais alto que eu consigo deixar, o barulho do funk estremece e grita.
Quem senta, senta, senta, senta se concentra.
O Gol prata finalmente vira a rua e Al Pacino me encara da estante, ele pensa que com sua roupa branca e uma pistola na mão pode me intimidar, mal sabe ele onde está.
O caderno de anotações está cheio, versos para letras de músicas, inícios de textos que nunca serão terminados, desabafos, trechos de pensamentos tumultuados, idéias que não serão realizadas e dicas de livros que nunca serão comprados, tudo ao lado de uma garrafa azul vazia a algumas horas.
Kirby e Colin disputam traços em minha mente, mas é Paulo Sérgio que quer chamar atenção e um de seus discos caem em cima da única agulha Ortofon que tenho, ao lado tem outra garrafa azul, dessa vez é uma de café, a anterior era de água, a de café me foi dada pela mãe de um parceiro.
Stan Lee não, ele não, por exemplo o Surfista, quem criou ele? e quem fez o Capitão América? Vamos ser sinceros, o que Lee fez ultimamente além de programas de televisão, sendo somente uma caricatura dele mesmo?
É o mesmo que comparar Roberto Carlos com Amado Batista, um tem mídia, mas o povo tá mesmo com o Amado.
O Peixe Peludo se levanta e assim como Rourke em O Lutador, ele sabe que não será fácil ficar vivo e que só a vida pode leva-lo a nocaute.
Seus desgraçados, agente só para quando quiser, quer dizer, eu só paro quando quiser, eu acho.
A madrugada vem chegando, o ar que entra pela janela agora é mais para uma brisa, fica mais frio, eu tiro a camisa para saber realmente que ainda posso sentir algo, sei como Saramago, que a felicidade é só algo inventado para suportarmos a vida, e sei também que as meninas que passam agora por esse asfalto logo abaixo, só querem um pouco de diversão, mesmo sem ser a solução, a madrugada ainda pode oferecer algo melhor do que o pequeno barraco, recheado de familiares com mais sonhos que realizações e metros quadrados, o maldito Gol cinza passa novamente e o que sai lá de dentro ainda estremece o sobrado.
Piroca, piroca, piroca.
A palavra é repetida sem parar, um som grave estremece a casa, penso se isso fosse um texto Kafkiano ou eu virava um piroca e deslizava mole pelas escadas até sair no portão e começar a esmagar pessoas na rua, ou uma piroca gigante entraria pelo teto e destruiria toda a casa, ainda bem que não é.
Lixo toma espaço da rua, os pedestres que se fodam, quem dirige carro acha que não é pedestre, nunca foi e nunca será, tem nojo dessa raça.
Carros toma toda a calçada enquanto uma senhora caminha pela rua, em meio a motos e seus motores disparando tiros imaginários, entre a viela e o muro branco do sítio um casal se aperta e prova que aquela coisa ainda pode estar no ar.
Adolfo Aizen vem na minha cabeça, deve ter sido por ter a alguns dias lido o catálogo da Ebal, que Edição Maravilhosa, embora mais raro eu acho é Raio Vermelho, o primeiro lançamento da Abril, quando nem chamava editora Abril, outra revista em quadrinhos que procuro é Raimundo o Cangaceiro, pois José Lanzellotti além dos quadrinhos fez uma grande documentação histórica ao criar o personagem, mas talvez o motivo também seja pelo nome do personagem, mesmo nome do meu pai.
A corrente de ar diminui, alguém chega e diz que minha filha está perguntando porque estou demorando, agora tiro os olhos do monitor e vejo minha esposa, embora suas palavras sejam ditas em nome da menina, sinto que são suas, vou ver a pequena na cama, paro de escrever o texto.
Ela barganha para ir dormir com a mãe enquanto eu não chego, concordo, ninguém aguenta um sorriso misturado com sono, volto para meu cômodo entulhado de celulose, mergulho no texto, mas as vozes na rua me tiram do que tinha pensado em escrever, fogos de artificio tornam ainda mais estranha a madrugada, quem seria o maldito que as altas horas soltaria esses fogos, talvez seja algum jogo na televisão, embora não seja horário nobre, bem longe disso, ou mesmo um balão, como os fogos continuam vou até a janela e não vejo balão nenhum, queria ser Tintin e chegar em algum lugar antes de todos, assim como ele chegou na lua em 1950, tantos anos antes de Neil Armstrong, mas mesmo assim é Armstrong que recebe flores em sua estátua.
O jornalista na televisão diz que a culpa é das pessoas que agora podem ter carro, não é simples assim, a culpa é você poder ter e não saber usar, pra que tanto som? Equipar carro com som na quebrada virou moda, mas quem vai aguentar viver com tanto barulho? Enquanto educação e cultura não forem prioridade o dinheiro só vai servir para transformar a favela num inferno, onde se compra um guarda-roupa novo e o velho se joga na rua, onde o sofá usado agora está dentro do córrego, consumir sem conhecimento, é empinar moto, usar farinha demais, tomar whisky com energético, Catuaba com Schweppes, parar em todo posto para abastecer o carro e abastecer o corpo com cerveja (porque postos de gasolina vendem cerveja, se a idéia e não dirigir depois de beber?).
O dinheiro adquirido, o poder aquisitivo tão esperado, com 3 governos de esquerda, deveriam ser usados para todos se melhorarem como seres humanos, aprender, estudar, saber o grande potencial da cultura, adquirir senso critico, e isso tudo banhando com diversão também, uma boa peça de teatro, um show ao vivo, uma exposição de quadros, nada como ver uma obra ao vivo, bons livros, fotografar ou ir a exposições de fotografia, boas revistas em quadrinhos, as possibilidades são ilimitadas, e se tudo isso estiver longe, vá a algum sarau, são vários na quebrada graças a militância de alguns, mas para isso precisamos começar imediatamente a pregar algo além do consumismo suicida.
Ouço a música ao longe novamente, e abaixo meu velho receiver para entender a letra, impossível, mas indo a janela vejo o maldito Gol cinza e tudo estremece.
Uma buzina é pressionada por vários minutos sem parar, parece de uma bicicleta, o menino já treina para no futuro gerar barulho, meus dedos não conseguem digitar, o coração está mais rápido, tento olhar um pouco para a TV, ela sempre me deixa mais na moral, agora ouço um disparo, já não parece mais fogos, então vou fechar a janela, Rex Mundi livro dois está a minha espera, o primeiro Guardião do templo foi uma grande diversão, não tanta como Os Beats, uma graphic novel coletiva com roteiros de Pekar, Peters e um monte de gente bacana, são trabalhos que me tiram daqui por algumas horas, morar no tema é foda demais, para pegar distância tenho que ir dos livros clássicos até os fanzines que saíram essa semana.
Logo abaixo de Os Beats está Grendel de Matt Wagner, uma edição que oscila entre lirismo e algumas histórias já batidas, o que menos interessa do apanhado é o personagem principal, e isso remete muito a Spirit de Eisner, mas não é Um contrato com Deus que interessa, dá para ver 100 balas e quem lê algo de Azzarello sabe o que digo, nem os Escapistas conseguiriam parar de virar as páginas, agora que meus dedos estão travando e minha mente tenta não ouvir Queem de novo na rádio, Aberrações no coração da América ou Sinal e ruído de Gaiman e Mckean vão terminar minha noite, embora eu não me encaixe nas pessoas que sobem a montanha para esperar a virada do século, porque na verdade estou mais para o escritor que não quer fazer os exames. O clima de Sinal e ruído é perfeito para se pensar a vida através da ameaça de perde-la.
O resto de Pizza ainda está em cima do sofá na sala, e como tive que andar muito para comprar, porque nessa rua não tem uma pizzaria, e na rua de cima, as madeiras usadas no forno são restos de móveis, então como sou um pouco informado para comer algo misturado com produtos químicos vindos da fumaça, e aqui não tem sequer ou uma padaria, tive que andar muito mesmo para trazer essa pizza.
Em alguns lugares é tão comum, porque aqui não? e olha que não estou exigindo nada demais, comida japonesa? Frango Frito? não, só uma maldita pizzaria.
Paro o texto, por aqui já chega de escrever, vou até a cozinha, ponho água para esquentar, não consigo comer pizza com refrigerante, meu negócio é café com leite, volto para a sala mas antes que eu me encaixe no sofá e comece a foliar os desenhos de Mckean, a casa estremece e sei que é o maldito Gol cinca novamente.
- Quem senta, senta, senta, senta se concentra.
Ferréz é datilógrafo.
E assina todos os meses a coluna Litera-rua na revista Fórum.
A guerra convarde em São Paulo
Salve,
A guerra que não é oficializada continua em São Paulo, e quem paga o preço é a população, como escritor fiz uma crônica curta e tá no site. www.revistaforum.com.br com fotos do Marcus Kawada que também é daqui da Sul.
Todos temos que se mobilizar para não deixar virar rotina a morte de pessoas inocentes nas quebradas, várias pessoas estão agindo, para não sermos coniventes com essa covardia.
Lembre-se você morador de favela ou periferia também pode ser a próxima vítima.
Convocação geral para não aceitar isso, essa guerra não é nossa, não queremos ela.
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