Relatoria da Aula – 21 de junho de 2012 [/Grupo 01]

André Lemos iniciou a aula falando sobre as duvidas para o trabalho final da disciplina, definiu a entrega para dia 05/07, caso alguma equipe queira entregar dia 03/07, pode adiantar.

O grupo 06 fez a apresentação do texto “O futuro da escrita” de Vilém Flusser.

A exposição do grupo começou esclarecendo que o texto fala com certo distanciamento da escrita en si, mas uma aproximação com o código.

O autor contesta a ideia de que a divisão entre história e pré-história se dá através da escrita, pois o papel da escrita é mediar às relações humanas o que permite focalizar a convenção. Essa ideia de convenção pode ser ilustrada com o exemplo da bíblia, cada religião tem uma interpretação.

A escrita veio para alienar a imagem, mas agora, as posições são opostas, a imagem está para alienar a escrita. Essa nova escrita seria uma nova civilização de imagens, as imagens pré- históricas serviam para mediar o mundo e o homem, mas as imagens pós-históricas são imagens geradas e alimentadas por texto, é o conceito da metáfora da CAIXA PRETA – tudo que entra seria texto e o que sai, imagem a estrutura da televisão foi o exemplo citado .

A escrita está associada a razão e a imagem a imaginação, e caminha pela história. A escrita estava para criticar o mundo imagético, nesse contexto Platão criticava as artes plásticas porque acreditava que a imagem é inferior a escrita. O olho que vê a imagem é multifocal, os elementos da imagem são reversíveis, enquanto a escrita é linear a cada produção de uma linha para a outra vai perdendo resíduos.

Flusser enxerga um futuro que a escrita irá retornar ao seu conceito original de ser uma crítica a imagem, ou irá ser um pretexto, escrever para ser convertido em outro material.

 

Para André Lemos:

A analise que ele faz entre a escrita e a imagem me parece forçada, Flusser entende a escrita como um movimento de critica mesmo, com um afastamento. Eu acho que a escrita não só seja o lugar da razão, mas também da imaginação.

A imagem pode materializar alguns fenômenos, por isso que temos gráficos, infográficos para auxiliar a compreensão, mas eles (gráficos) estão sempre acompanhados de alguma forma de uma crítica, de texto. No exemplo da bíblia, acaba por se configurar na escrita, a história irá se configurar na escrita.

 

ASSISTA O VÍDEO NO POST DO DIA 16/06  TED (Technology, Entertainment, Design)

 

O que nos faz perceber que está tudo previamente escrito, um filme possui um roteiro, uma palestra escreve. A leitura de um gráfico é bastante expressiva porque é necessário abrir a CAIXA PRETA, como conseguiu construir esse gráfico, quais são os dados? Só podemos abrir a caixa preta com enunciado.

Como interpretar as imagens sem cair na escrita? Ou teremos que abdicar a escrita para apenas fluir as imagens? Quem flui a obra como imagem recebe o impacto.

André também citou a teoria de Gaia, como provar? É como se o discurso racional aniquilasse a imaginação. Nenhuma dessas teorias são neutras, é sempre uma produção, é rastro, só precisa de alguém que identifique.

Resumo do texto O ALGORITMO CURADOR – O papel do comunicador num cenário de curadoria algorítmica de informação

Grupo 8

Integrantes: Gabriela Cerqueira, Karen Monteiro, Thuanne Silva, Yne Manuella Cardoso e Darlan Caires

1. Abundância informativa

  • Atualmente, os meios tradicionais de comunicação e informação e, mais notavelmente, os novos produtores de conhecimento partilham dados digitais na rede, o que aumenta o número de informações ofertadas.
  • Essa abundância de dados nem sempre viabiliza um aumento de informação e conhecimento. A autora cita Neal Gabler (2011), que afirma existir hoje uma ” ignorância bem informada”.  O indivíduo entra em contato com muitos dados mas não consegue formular reflexões incisivas sobre eles.
  • A autora também cita Weinberger (2012), que acredita na existência de um ordenamento das informações antes do advento da informática. O que existe hoje é uma descentralização da oferta de dados, que é feita por plagiadores e amadores.
  • A pulverização da informação, onde todos produzem e são consumidores (mesmo que superficialmente) também tem aspectos positivos: ajuda a tornar o conhecimento mais entendível e acessível às pessoas, por elas estarem diretamente ligadas ao processo de produção informativa.
  • Na era do conhecimento mais democrático e pulverizado, ele não é utilizado de maneira plena.
  • O conhecimento atual cresce em redes e, por isso, não é detido por poucos indivíduos. É a troca comunicacional entre usuários de dentro e de fora da rede que possibilita o desenvolvimento do conhecimento.

2. Curadoria como solução

  • Em resposta a dificuldade no gerenciamento de uma grande quantidade de dados na rede e em rede, retoma-se o conceito de curadoria, dessa vez adaptada ao meio digital.
  • Essa curadoria tecnológica é muito mais algorítmica do que pessoal. Não há agregação de valor, agenciamentos ou inteligência disseminada. As classificações são feitas somente no campo numérico.

2.1. Os significados de curadoria

  • Para facilitar a apreensão do novo por todos, os processos de inovação de ruptura são apropriados pela sociedade através da adoção transversal de conceitos já vigentes.
  • O termo “curadoria” é oriundo das classes monásticas e do Direito e era veiculado ao ato de curar e zelas por algo.
  • Com a evolução, o termo passa a ser associado às artes, passando a se referir ao processo de seleção de algo a partir de alguns critérios que tem relação com o curador.
  • Mais tarde, o termo designa o processo de mediação executado por um indivíduo que faz conexões entre pessoas, grupos e objetos.
  • Ainda mais além, “o termo curadoria passa a ser utilizado para uma diversidade de ações que envolvem organização de dados a partir de critérios ou recortes. Nesse contexto, a “curadoria de informação” assume uma idéia muito mais de organização que de inauguração de uma nova proposta ou visão de mundo”. A partir de 2010, nota-se um expressivo aumento no uso e na procura de informações sobre o termo “curadoria”.
  •  Ferramentas como o Facebook, Amazon e Google utilizam algoritmos para selecionar informações e direcionar conteúdos.
  •  No âmbito da comunicação digital, os algoritmos excluem as informações que não interessam os usuários e oferecem aquelas que mais tem relação com os seus interesses.
  • Para fazer essa seleção, os algoritmos, que são criações humanas, se baseiam em critérios sociais e comportamentais. Por isso, é imprescindível a participação humana no processo de modelagem do algoritmo.
  • Enquanto o algoritmo curador faz uma pesquisa na base de dados do usuário, prendendo-se assim ao passado, a curadoria humana pode enxergar e apontar o futuro, apresentando fatos novos e diferentes do contexto em que o receptor se insere.
  • Para Anderson esse processo é considerado como “promiscuidade algorítmica”. A máquina analisa dados computacionais e os dados humanos da mesma forma, reduzindo e esquematizando estes últimos.
  • “Os leitores de informações assim são reduzidos às suas preferências, ao que consomem. A agenda setting passa a ser pessoal, única, personalizada e determinada por seus desejos”.
  • Não é apresentado nada de novo ao receptor, que só recebe informações condizentes com o que já pesquisou.O comunicador, que é o elemento social conectado de maneira mais aproximada com o consumidor de informação, atuaria de forma menos uniformizante no processo de escolha.

3. O comunicador como curador da informação

  • Os autores dimensionam duas atuações para o curador da era digital, a de re-mediação, que agrega o valor pessoal ao conteúdo trabalhado, e design de relações, que propões a disseminação do material re-mediado. Já no campo da comunicação digital, o potencial do exercício da curadoria acaba se reduzindo ao conjunto de professionais que simultaneamente consigam re-mediar, estabelecer relações interpessoais pró-ativas, utilizar plataformas tecnologicas para tratamento e disponibilização de dados e curar de modo único e diferencial através da capacidade intelectual e informativa.
  • Os autores Bolter & Grusin (1999) e Fiedler (1997) afirmam que a produção de conteúdo nas mais diversas plataformas tecnológicas é uma adequação de de co-evolução, coexistência e complexidade por conta da inovação, e da possibilidade de contextualização instantânea via hipermídia, mas sua origem é decorrente do mesmo processo de comunicação que sempre pautou a sociedade como um todo.
  • A curadoria comunicacional pode se favorecer da tecnologia, mas não chega a atuar com determinismos, sendo na verdade uma “ação deliberada de quem assume o papel de re-mediador, que poder partir de um ativista, um blogueiro, um pesquisador, um jornalista ou um comunicador”, já que essa ação depende de habilidades e competências individuais e não implica necessariamente em uma profissão.
  • O curador da informação, inserido no campo da comunicação digital, assume uma função mais afirmativa ao combinar competências de re-mediação, agregação de audiências, mineração de dados, inteligência distribuída, agenciamentos e adição de valor visando o exercício da ação comunicativa que, em ultima instância, objetiva a fixação e disseminação de mensagens, e a respectiva obtenção de valor como retorno. Segundo Boczkowski (2010), o problema atrelado a função do curador na comunicação digital é o “crescimento da proporção de conteúdos “genéricos” compartilhado pelos principais meios de comunicação (e mesmo entre provedores terceiros, como agências noticiosas); ao mesmo tempo em que há uma redução de empresas de mídia independentes de empresas jornalísticas a desempenhar a sua função de “cão de guarda” de uma forma vigorosa”. O que se questiona é o a utilização do termo curadoria para classificar atualmente atividades já antes exercidas pelos comunicadores como a mediação, edição, seleção, divulgação, opinião, transforma o jornalismo de dados muitas vezes em curadorias.
  • Como solução, a professora da FAU/USP Giselle Beiguelman ropõe três tipos de atividades curatoriais nas quais podem se inserir os comunicadores: o curador como filtro, o curador agenciador e o curador como plataforma ao considerar o curador de informação aquele que faz uso das ferramentas, associadas a filtros e plataformas que facilitam a atividade de agenciamento, gerando uma inteligência distribuída.
  • Além de Beiguelman, o consultor Shel Holtz, ao considerar a curadoria da informação como inerente à atividade do comunicador, destaca as atividades de contextualização e forma de disponibilização das informações abundantes na rede para enquadrar o papel do comunicador.

Considerações finais

Ao longo do texto de Elizabeth Saad Corrêa e Daniela Bertocchi, foi exposto o contexto de excesso de informação na rede digital, que também se dá no que diz respeito à quantidade de ferramentas para selecionar essas informações. A atividade de curadoria da informação, deste modo, vê nesse cenário um campo fértil.  Além disso, houve a abordagem dos algoritmos matemáticos, que possuem diferentes graus de complexidade e são os principais responsáveis por consolidar a curadoria em rede. Estes podem ampliar a construção coletiva do conhecimento ou podem limitar essas possibilidades através do mecanicismo. O papel do profissional da Comunicação e do próprio campo foi colocado em discussão pelas autoras, levando em consideração o cenário já citado anteriormente. Foi estabelecida a possibilidade de relação entre o comunicador e a lógica algorítmica, o que daria origem a um outro campo de atuação do comunicador, que passa a ter suas ações na construção coletiva do conhecimento e formação de opinião pública em evidência. Ou seja, o papel do comunicador seria fazer a curadoria da informação em rede. Partindo deste ponto, as autoras tomam por base as ideias de Anne-Marie Schleiner para outras reflexões acerca da atividade comunicacional. O pensamento de Schleiner baseia-se no conceito de fluidez da sociedade como o que motiva posturas e procedimentos no exercício da curadoria. O predomínio do pensamento não linear, o desenvolvimento de conteúdos informativos em fluxo contínuo, a compulsividade do curador para a criação, desconstrução e colecionismo, o gosto pelas interações sociais, além da visão de negócio atrelada ao conteúdo são alguns exemplos das novas posturas e procedimentos para a curadoria. O comunicador, na atualidade, se vê diante da necessidade de novas competências para o exercício da comunicação contemporânea, estas que vão além das grades curriculares. Espera-se um diálogo entre o comunicador-curador com a TI de construção de algoritmos, sistemas CMS e de aplicativos, mas também é necessário deste profissional uma visão social e antropológica para análise do comportamento e tendências do público-alvo. Trata-se de uma dinâmica de mediação e re-mediação entre públicos, fontes, sistemas, ferramentas e sociabilidades. Este é o momento para se rediscutir o perfil da atuação destes profissionais, ou como sugerido pelas autoras, “repassar a função para os algoritmos”.

Questionário – Tecnologia móvel em sala de aula

“Prezad@s estudantes,

Como havia exposto para todos em uma das primeiras aulas da disciplina, minha pesquisa de doutorado tem como objetivo, em suma, investigar os impactos do uso de dispositivos moveis (notebooks, tablets, celulares, etc) nos processos de construção do conhecimento em sala de aula, ou melhor, durante a aula – falei dela brevemente em um dos blogs da disciplina, o EduTec (http://ugrupo-edutec.blogspot.com.br/2012/05/cyber-instrumentos-participam-da.html). Um dos nossos procedimentos metodológicos é o questionário; neste sentido, convido-os mais uma vez a participar da pesquisa, desta vez, respondendo-o:

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dGhTanJJWkVkbmNzMWpWUUxsUW44akE6MQ#gid=0

A participação é facultativa, mas seria bom que vocês respondessem, pois contribuirá não apenas para o trabalho que venho desenvolvendo mas também acredito que para todos nós por se tratar de um tema do nosso cotidiano, do nosso interesse.
Agradeço desde já a contribuição de vocês!
Att,
David Moises”