André Lemos iniciou a aula falando sobre as duvidas para o trabalho final da disciplina, definiu a entrega para dia 05/07, caso alguma equipe queira entregar dia 03/07, pode adiantar.
O grupo 06 fez a apresentação do texto “O futuro da escrita” de Vilém Flusser.
A exposição do grupo começou esclarecendo que o texto fala com certo distanciamento da escrita en si, mas uma aproximação com o código.
O autor contesta a ideia de que a divisão entre história e pré-história se dá através da escrita, pois o papel da escrita é mediar às relações humanas o que permite focalizar a convenção. Essa ideia de convenção pode ser ilustrada com o exemplo da bíblia, cada religião tem uma interpretação.
A escrita veio para alienar a imagem, mas agora, as posições são opostas, a imagem está para alienar a escrita. Essa nova escrita seria uma nova civilização de imagens, as imagens pré- históricas serviam para mediar o mundo e o homem, mas as imagens pós-históricas são imagens geradas e alimentadas por texto, é o conceito da metáfora da CAIXA PRETA – tudo que entra seria texto e o que sai, imagem a estrutura da televisão foi o exemplo citado .
A escrita está associada a razão e a imagem a imaginação, e caminha pela história. A escrita estava para criticar o mundo imagético, nesse contexto Platão criticava as artes plásticas porque acreditava que a imagem é inferior a escrita. O olho que vê a imagem é multifocal, os elementos da imagem são reversíveis, enquanto a escrita é linear a cada produção de uma linha para a outra vai perdendo resíduos.
Flusser enxerga um futuro que a escrita irá retornar ao seu conceito original de ser uma crítica a imagem, ou irá ser um pretexto, escrever para ser convertido em outro material.
Para André Lemos:
A analise que ele faz entre a escrita e a imagem me parece forçada, Flusser entende a escrita como um movimento de critica mesmo, com um afastamento. Eu acho que a escrita não só seja o lugar da razão, mas também da imaginação.
A imagem pode materializar alguns fenômenos, por isso que temos gráficos, infográficos para auxiliar a compreensão, mas eles (gráficos) estão sempre acompanhados de alguma forma de uma crítica, de texto. No exemplo da bíblia, acaba por se configurar na escrita, a história irá se configurar na escrita.
ASSISTA O VÍDEO NO POST DO DIA 16/06 TED (Technology, Entertainment, Design)
O que nos faz perceber que está tudo previamente escrito, um filme possui um roteiro, uma palestra escreve. A leitura de um gráfico é bastante expressiva porque é necessário abrir a CAIXA PRETA, como conseguiu construir esse gráfico, quais são os dados? Só podemos abrir a caixa preta com enunciado.
Como interpretar as imagens sem cair na escrita? Ou teremos que abdicar a escrita para apenas fluir as imagens? Quem flui a obra como imagem recebe o impacto.
André também citou a teoria de Gaia, como provar? É como se o discurso racional aniquilasse a imaginação. Nenhuma dessas teorias são neutras, é sempre uma produção, é rastro, só precisa de alguém que identifique.