10 de julho de 2012
18 de junho de 2012
Beethoven no churrasco
“É música de churrasco”, me disseram. Assim como Chiclete com Banana, natural substituto do Radiohead que eu tinha conseguido infiltrar num momento de desatenção da maioria.
Nada contra. Cada um é cada um, não é esse o sábio dito popular?
Vocês, meus caros 17 milhões de leitores, poderão me censurar pelas escolhas excêntricas para trilha sonora de churrasco. Me chamem de chato, pedante. Foda-se. Eu não caio nessa história de adaptar a música para a ocasião, ou melhor, para servir de cenário. Música é pra ouvir. Não há nada mais deprimente do que música de churrasco, música de casamento, música de balada. É tudo música de elevador.
Não acho que pra ouvir Beethoven seja preciso vestir um smoking e botar um ar aristocrático na cara. Aliás, isso é o que não deveria acontecer. Sua música é prazer, embriaguez, loucura, pateticidade, felicidade, e é tenebroso que se vincule um inconformista como Beethoven ao pedantismo.
Quer saber? Todo mundo quer picanha na churrasqueira. Mas se você passou a vida inteira comendo acém, talvez rotule quem defenda a picanha como pedante. Azar o seu.
14 de junho de 2012
1 de junho de 2012
Paul Lewis toca Beethoven
Nos links abaixo você encontrará em MP3 TODAS as sonatas para piano, de Ludwig van Beethoven, interpretadas por Paul Lewis.
Este blog já havia publicado a edição integral das sonatas tocadas por Stephen Kovacevich. A diferença da atual postagem para aquela é que os arquivos de áudio estão separados por faixa, movimento por movimento. De modo que fica mais fácil, por exemplo, ouvir aquela terceira parte da Tempest, ou o curto mas espetacular segundo movimento da Hammerklavier – embora o legal mesmo é, claro, ouvir a sonata de cabo a rabo.
Este que vos escreve faz questão de reiterar que não procura, com essa publicação, prejudicar o artista ou a gravadora. O preço de uma coleção dessas, importada, é tão proibitivo para o bolso do brasileiro médio que seria impossível, não fosse a internet, ter contato com produções artísticas desse porte. A beleza salvará o mundo e não deverá cobrar entrada. No entanto, se você tiver dinheiro suficiente e gostar da obra, sugiro que a compre em sites como a Amazon. Quem pode, deve prestigiar o artista.
Caso prefira, os arquivos originais, em FLAC, estão neste torrent. Por favor, reportem qualquer problema nos arquivos MP3 aqui disponibilizados.
CD3 – Sonatas no. 9, 10, 21 e 24
CD7 – Sonatas no. 12, 13, e 14
16 de maio de 2012
A shout from the rooftops
É um tremendo encorajamento para os movimentos de direitos humanos nos Estados Unidos: a faculdade de direito de Columbia publicou um estudo detalhado sobre a execução de um inocente no Texas.
A matéria do Guardian, que conta o caso de Carlos DeLuna, é dolorosa. Confundido com o real assassino (cuja existência as autoridades judiciais descartaram como ficção do acusado), DeLuna foi condenado à morte por um assassinato que não cometeu. Até o último momento afirmou sua inocência. Foi executado por injeção letal em 8 de dezembro de 1989. O assassino, um outro Carlos, Hernandez, extremamente parecido com DeLuna, não respondeu ao crime.
Via boingboing.
10 de maio de 2012
Nikolai Kapustin é o cara
Tô viciado nessa aí embaixo:
E essa, recém-descoberta:
27 de abril de 2012
Que pena…
“When Barcelona reached the 1986 European Cup final, a 15-year-old ballboy raced on to the pitch and pleaded with Victor Muñoz, scorer of the decisive penalty against Gothenburg in the shootout, for his shirt. The ballboy was Guardiola. During one match against Madrid he ran up to the referee and told him he was playing with the emotions of an entire nation, and he was not talking about Spain. When Andrés Iniesta was a kid, there were two posters on his wall at La Masía: one was of Catherine Zeta Jones, the other was Pep Guardiola. Cesc Fábregas still treasures the signed Guardiola shirt he was given as a youth-team player at the club.”
Guardiola saiu. Guardem os VTs.
19 de abril de 2012
Gangsta rapping on hell´s door
Aperta o cerco sobre Rupert Murdoch: http://www.independent.co.uk/news/uk/crime/hacking-scandal-the-net-tightens-on-the-murdochs-7661722.html
Para onde vão os enormes e desproporcionais gastos militares da Grécia?
“The imbalance has spawned speculation that peripheral countries in Europe with vulnerable frontiers likesuch [sic] as Greece are being exploited in terms of defence spending by wealthier states at Europe's core.”
Aqui, ó: http://www.guardian.co.uk/world/2012/apr/19/greece-military-spending-debt-crisis
Aos vencedores, conjecturas extravagantes sobre méritos inexistentes
Entre as muitas coisas que me incomodam no palavrório da imprensa esportiva nas análises pós-jogo é como a (legítima) busca por conjecturar os motivos de um placar de futebol está se tornando uma (preguiçosa e ilegítima) obrigação de conceder ao vencedor mais mérito do que teve.
É notório que o futebol não é um esporte em que o placar final sempre traduz a medição de força entre dois times. Nem sempre o melhor vence. Isso basta, sem precisar repetir o truismo de que futebol é bola na rede, para que observemos como a ânsia por identificar mais mérito do que existe em todo vencedor está levando a imprensa esportiva a procurar explicações bizarras para placares “injustos” ou “ilógicos”.
O que aconteceu ontem em Stamford Bridge e a cobertura do Guardian ilustram o meu argumento.
Admiro muito o setor esportivo do Guardian. Os textos são saborosos, as análises são geralmente sóbrias, sem patriotismo ou outras paixões que acometem a imprensa esportiva espanhola. Mas dois textos de análise pós-jogo sofrem desse mal de que estou falando: o primeiro elogia coisas como o trabalho disciplinado do time todo do Chelsea no setor defensivo, o segundo fala em “soberba disciplina” dos blues.
Como quem acompanha futebol sabe, o Barcelona dominou amplamente o Chelsea em plena casa do adversário. Dominar não é apenas uma definição de “ter mais posse de bola”, mas também criar mais chances de gol, impedir que o adversário tenha a bola e jogue, pressionar o outro time em seu campo de defesa. O Barcelona fez isso o jogo todo e saiu derrotado por 1 a 0, fruto da única chance de gol que o Chelsea teve. Se alguma análise racional do jogo é possível, a única coisa que se pode falar com segurança é que o resultado se deve ao faro de gol de Drogba e à incompetência das finalizações do Barcelona. E só. Mas a análise tática de David Pleat, por exemplo, propõe que o mérito seja todo do sistema de Di Matteo, “compacto, disciplinado e comprimindo o espaço defensivo, quase parando o ônibus [na frente do gol]”.
Pleat alega que a troca de passes do Barcelona não conseguiu penetrar a defesa do Chelsea. Como não? Foram muitas chances claras de gol, duas delas com Alexis recebendo passes por cima da defesa do Chelsea. A primeira bateu na trave, a segunda foi pra fora. Fábregas também teve uma com bola em profundidade, venceu Cech, mas o zagueiro salvou em cima da linha. E assim por diante. Isso não é penetrar a defesa do outro time? Mesmo confrontado com um busão parado na entrada da área, o Barcelona furou, sim, a defesa adversária. Mas não balançou as redes. O Barcelona perdeu e também não existe tal coisa chamada vitória moral. O Chelsea ficou com o 1 a 0 e é isso o que importa no futebol. O Chelsea venceu e está perto da final. Essa é a melhor, a única verdadeira, recompensa dos vencedores. Não precisam de mais nada, de nenhum elogio.
O que precisa ser dito é que o Chelsea e todo time inferiorizado dentro de campo mas superior no placar final não precisam que méritos falsos lhes sejam atribuídos ad hoc. Vitórias e derrotas acontecem e, muitas vezes, nem uma e nem outra são realmente merecidas. Assim é o futebol e, com o perdão da reflexão de boteco, assim é a vida.
Parte do problema é a tentativa de arrumar explicações complexas para coisas simples. Quando o assunto é futebol em sua manifestação mais extraordinária e caótica (caso do jogo de ontem), talvez seja melhor ficar com tautologias e irracionalidades em vez de rabiscar e rebuscar a prancheta em busca de um modelo explicativo. Proponho, portanto, duas “explicações” para o que aconteceu ontem.
A primeira é: o Chelsea venceu porque fez um gol e o Barcelona não fez nenhum.
A segunda: é tamanha a quantidade de pequenos detalhes e a sua combinação definindo a ausência de gol do Barça que algo do tipo vai demorar pra acontecer de novo. Ao contrário do provérbio latino, a sorte sorriu para os fracos.


