Quer assustar seus predadores? Faça uma aranha gigante.

Imagem feita por Phil Torres
Esta semana topei com um exemplo fantástico de mimetismo em aranhas. Exemplo bem deliberado e feito com cuidado. Algumas aranhas são capazes de criar disfarces, imagens delas mesmas, verdadeiros espantalhos feitos de sujeira, restos de presas e bolsas de ovos que elas deixam na teia para (imagina-se) distrair predadores.
Mas nunca havia visto um disfarce como este ao lado. Esta aranha foi feita por uma pequena Cyclosa sp., fotografada por Phil Torres nas matas do Peru.
A Cyclosa sp. que vive na teia tem menos de meio centímetro, e consegue montar esse disfarce muito parecido com uma aranha enorme, de vários centímetros, pendurada em sua teia. Até então, todos os outros exemplos conhecidos de disfarces feitos por outras aranhas do mesmo gênero eram réplicas iguais às donas, feitas mais para confundir do que para assustar. Trata-se do primeiro caso conhecido de disfarce maior do que a autora, que me lembrou muito do Mágico de Oz.
Imagens e fonte de Phil Torres, via @BoraZ.
Esquilo suicida? Nem perto
Se você achou muito extrema a atitude tomada pelo esquilo aos 20 segundos e, como alguns dos que vi compartilhando o vídeo, pensou que o esquilo estivesse tentando se matar, fique tranquilo. Como descrevi neste post, a gravidade é um problema mortal apenas para os grandes animais. Os pequenos podem até aproveitar a queda para planar.
Como o volume corporal aumenta mais rapidamente do que o tamanho, animais maiores possuem muita massa para uma pequena área absorver o impacto de uma queda. Já para animais pequenos, a massa menor é distribuída sobre uma área proporcionalmente maior, que pode absorver o impacto sem grandes problemas. Para o esquilo, mesmo quedas de alturas muito grandes têm pouco impacto. Vide a severidade dos machucados em gatos, que acima de nove andares diminui:
Vi o vídeo primeiro no Chongas.
Como encontrar artigos científicos
Recentemente, recebi um email me perguntando como encontrar bibliografia pertinente para alguém que está começando a pesquisa. Aproveitando a técnica do blogueiro acadêmico preguiçoso ocupado, melhor transformar a resposta em um post e aproveitar o contexto de redes sociais e publicação científica que tenho tratado. Adianto desde já: o melhor é aproveitar o filtro social. [update] Leia também o comentário do Takata, com mais fontes muito boas.
Depois de anos lendo sobre uma área, criamos preferência por certos autores, revistas e palavras-chave, o que torna a busca muito mais fácil. Mas, em grande parte graças ao blog, estou sempre precisando buscar bons artigos sobre áreas que não tenho grande familiaridade. É principalmente para estas situações que vou dar as dicas a seguir. São dicas pré-leitura, sobre como achar o artigo. Como ler e identificar um bom artigo é outra coisa, e nem sei se consigo definir ou escrever sobre.
Google Scholar
Quase não faço mais buscas no PubMed, por um motivo bem simples. Além das ferramentas acima, como o perfil de autor com citações, índice H e sugestões de bibliografia relacionada, gosto muito da forma como o Scholar organiza os resultados de busca, artigos com mais citações aparecem acima. Para quem está interessado nos artigos mais recentes, basta um clique em organizar por data. Mas, como disse, o foco aqui é em quem está começando a ler sobre uma área, e os artigos mais citados tendem a ser os que mais estão contribuindo.

A imagem acima mostra as várias coisas que facilitam no Scholar. O botão de PDF na direita, ou mesmo dentro o All versions já me ajudaram a encontrar muitos artigos aos quais não tinha acesso. Sempre vale ver onde mais o Google encontrou aquele trabalho. O Import to Endnote resolve o problema do Endnote não encontrar a referência na busca interna. E o Cited by mostra os artigos que citam aquele, também dispostos em ordem de citações. É o que mais uso quando quero ver os trabalhos mais relevantes em uma área. Frequentemente me perco clicando em Cited by e termino descobrindo diversos artigos que valem a leitura.
Mendeley
Procurar sobre o tema no Mendeley também pode render ótimos achados. Além de poder saber quantas pessoas estão lendo aquele artigo, outra métrica informativa, não fiquemos apenas com as citações, também é possível ver as palavras associadas e grupos temáticos, o que aumenta bastante a abrangência e ajuda a encontrar trabalhos importantes que não seriam buscados intencionalmente. Um dos lados bons de ferramentas de busca é que encontramos exatamente o que estamos procurando. Um dos lados ruins de ferramentas de busca é que encontramos exatamente o que estamos procurando. O Mendeley e redes do tipo são uma boa forma de ter contato com mais do que estamos procurando.
Perfil do pesquisador no ResearchGate
Encontrou um trabalho relevante, e quer receber os novos artigos de um dos autores? Siga o perfil dele no ResearchGate. Mesmo que ele (ou ela) não tenha um perfil criado, o site cria um perfil automático que busca e atualiza as publicações, trazendo tudo para um lugar só.

Blogs
Não poderia escrever sem puxar sardinha citar uma das fontes mais interessantes, blogs e podcasts sobre o tema. Sou especialmente grato ao This Week in Virology por me trazer sempre conteúdo novo, relevante e comentado. Sim, comentado, com artigos explicados e debatidos, muitas vezes por um dos autores, o que acrescenta ainda mais quando vou lê-lo. Além de acrescentar no trabalho, também ensina a ler e interpretar artigos.
Recomendo também buscar um artigo no ResearchBlogging, por exemplo, para ler o que estão escrevendo sobre ele e ganhar novas perspectivas. Sempre surgem novas interpretações, comentários e ligações com outros trabalhos.
Wikipedia
Não importa se você confia na Wikipedia ou não. Por mais que ela possa ser editada por leigos, e possa conter informações erradas, as referências ao final de um artigo são uma ótima fonte de pesquisa. Se esse é o foco, perfeito. Alguém leu o artigo e considerou ele relevante o suficiente para incluí-lo em um texto sobre o tema, o que é um filtro bastante eficiente para encontrar artigos relevantes, inclusive com mais chances de serem citados. Tendo como referência o HIV, as referências de textos da Wiki costumam ser boas e constantemente atualizadas.
Mais aranhas pavão (e pr0n de aranhas)
Sim, mais um vídeo com aranhas pavão macho. Simplesmente por que não resisto a aranhas saltadoras tentando impressionar as fêmeas, ainda mais quando são tão coloridas.
Desta vez temos mais ação. Fruto do trabalho de Jürgen Otto (autor do vídeo) e David Hill, que estudam este gênero de aranhas australianas. No começo, vários machos mostrando seus talentos, abrindo e agitando o abdômen iridescente enquanto agitam o terceiro par de patas – o único par com meias – e chacoalham os pedipalpos.
Acho muito curioso o paralelo de demonstrações de cores e movimentos das aranhas saltadoras, que dependem muito da visão para caçar, com comportamentos similares em aves. Pouco depois, podemos ver o medo de um macho de meio centímetro que precisa conquistar uma fêmea maior do que ele (marrom, no vídeo), e mais do que acostumada a atacar pequenos artrópodes que se aventurem na frente dela. Depois da conquista, o macho usa seu pedipalpo para inserir o esperma na fêmea.
Vídeo via io9, que pegou do boingboing via Bug Girl
Um review bem recente gênero, de autoria de Jürgen Otto e David Hill, com a melhor coleção de figuras de um artigo que já li está disponível aqui. [pdf]
Redes sociais, artigos científicos e novas métricas
No post anterior, discuti um pouco sobre as novas formas de compartilhar e medir o impacto da pesquisa. Agora, o SciELO publicou o vídeo do seminário. Ou melhor, os vídeos, pois ele foi quebrado em seis partes. Para organizar as ideias todas em um mesmo lugar, seguem os vídeos (a apresentação começa mesmo aos 8 minutos) e o material da apresentação:
Parte 2 // Parte 3 // Parte 4 // Parte 5 // Parte 6
Aqui vão os slides:
E o material de referência, links e artigos citados na apresentação, bem como outros relacionados. Recomendo especialmente o material de Jason Priem, um dos pesquisadores mais engajados em novas métricas. Quem tiver material relacionado, e puder compartilhar os links nos comentários, agradeço e incluo na lista.
Science Communication on the Web and Altmetrics is a group in Computer and Information Science, Education on Mendeley.
Um bom artigo precisa ser citado? Métricas e Altimetrics
Nos próximos dias 21 e 22/08, terei o prazer de apresentar um seminário sobre divulgação científica na internet. Em parte, vou tratar sobre o impacto dessa divulgação na forma como medimos o impacto da pesquisa, assunto que explico aqui.
O que você faz com o artigo que lê? Fonte: Goobledygook.
Mudamos a forma como lemos o artigo científico
Por muito tempo, uma das poucas medidas disponíveis sobre a importância de um trabalho científico foram as citações. Em um tempo em que não se podia saber quantas cópias foram feitas do artigo impresso, ou quantas vezes a revista foi lida na biblioteca, a forma de se medir o impacto de um artigo – ou melhor, de um periódico, já que medir artigos até então era muito complicado – era contar o número de vezes em que ele era citado em outras publicações. Conte as citações durante um certo período de tempo, faça as contas e magia negra uma análise que ninguém consegue reproduzir, e você tem o Fator de Impacto de uma revista.
Mas a forma como a ciência é publicada e divulgada mudou muito desde então. A última vez que entrei em uma biblioteca para copiar um artigo foi em 2006, para conseguir os trabalhos clássicos de HIV que não estavam disponíveis pela Capes e pela universidade, mas que a biblioteca havia assinado. Isso antes de conhecer amigos que podem me mandar por email. De lá para cá, todos os artigos que consumi foram baixados pela versão online dos periódicos. E quase sempre foram adicionados a um organizador de referências: inicialmente o Zotero, e depois o Mendeley, desde a grande diáspora de 2009 do Firefox para o Chrome. Não me lembro da última vez que imprimi um artigo.
Meu uso para os artigos também mudou durante o doutorado. Muitos deles foram relevantes, apesar de não serem usados diretamente na minha pesquisa, e não são citados nos trabalhos publicados. Foram importantes para nortear ideias, e estão adicionados no Mendeley, não só por mim, como por vários pesquisadores com interesses em comum. Outros possuem figuras completas e explicativas que foram usadas em apresentações e aulas. Alguns são tão abrangentes e interessantes que foram compartilhados por mim no Twitter, por saber que podem ser aproveitados por pessoas de diferentes áreas com as quais interajo, por mais que também não sejam citáveis. Além disso, muitos dos artigos com os quais tive contato não vieram de ferramentas de busca como o PubMed ou Google Scholar, e sim de blogs que acompanho pelo Research Blogging (que agrega posts sobre artigos científicos) e mesmo do podcast This Week in Virology.
Por que não mudar a forma como medimos?
Todas estas ações geram marcas, impressões que podem ser coletadas e computadas para informar sobre os diferentes tipos de impacto dos artigos que li. O impacto do artigo, e não só do periódico onde ele foi publicado. Sim, pois por mais que o fator de impacto de uma revista informe muito sobre as chances dos seus artigos serem citados por outros, a correspondência não é direta. Meu supervisor, por exemplo, publicou em 1996 um trabalho na PNAS bem mais citado do que o trabalho publicado no mesmo ano na Nature, uma revista com maior fator de impacto. Aliás, medir o impacto do artigo, e não do periódico, é uma forma bastante eficiente de qualificar o trabalho publicado em revistas sem tema fechado onde o fator de impacto não faz muito sentido, como a PLoS One, onde trabalhos de biologia molecular dividem espaço com artigos sobre psicologia humana – e podem ser lidos por pesquisadores de áreas completamente diferentes: nosso artigo sobre redes sociais e hepatite C foi citado em um trabalho sobre formigas e outro sobre riscos de predação.
O número de citações que um trabalho recebe é uma métrica fundamental sobre sua relevância no mundo acadêmico, mas não é o único tipo de impacto que ele tem. Artigos lidos por serem inspiradores, ou muito utilizados em aulas, ambos sem muitas citações medidas normalmente, podem ser tão ou mais relevantes. Agora, podemos saber que o artigo “How to choose a good scientific problem”, por mais que tenha apenas 10 citações, é muito popular no Mendeley e tem mais de 3600 leitores. Também podemos medir quantas vezes uma figura usada para aulas foi baixada diretamente no formato para apresentação com o botão Download for PowerPoint presentation, ou quantas vezes o artigo fonte é citado nos slides compartilhados no SlideShare.
Quando a informação era impressa, e precisava ser resgatada para ser processada, não tínhamos como saber que colaboradores muito citados nos agradecimentos, que não participaram diretamente do trabalho mas contribuíram com sugestões e críticas valiosas, podem contribuir para 10 a 20% da produtividade de seus colegas, conforme medido para pesquisadores de imunologia falecidos. Hoje, a PLoS fornece todo tipo de métrica de acesso e compartilhamento de seus artigos, tentando se distanciar cada vez mais do Fator de Impacto. Até a Amazom tem muito mais informação sobre os hábitos de leitura dos seus consumidores através do Kindle do que o livro impresso permitia.
Este conjunto de métricas alternativas, apelidado de Altmetrics, agrega uma série de ferramentas que ajudam a entender estes diferentes tipos de impacto que um artigo pode ter, além de agregarem informação sobre aquele trabalho, como as palavras-chave associadas pelos leitores. E mesmo se você estiver interessado na medida mais usada, tais métricas podem explicar em pouco tempo tendências de citações que levam anos para serem vistas, preenchendo o espaço entre a publicação de um trabalho e a constatação de seu impacto. O número de compartilhamentos de um artigo nos dias após sua publicação, por exemplo, prediz bem as chances dele ser mais citado no futuro – o que não implica que ele será mais citado por que foi mais divulgado, o trabalho pode ser bastante divulgado por ser relevante e portanto mais citável.
Por que não mudar a forma como medimos a produtividade?
Assim, em concursos interessados em medir diferentes aspectos da carreira de um candidato, ou mesmo a avaliação da Capes sobre a produtividade dos pesquisadores, ao invés de medirem apenas participações em bancas de defesa e números similares como a relevância do docente fora de sua pesquisa, poderiam contar quantas apresentações ele(a) tem disponibilizadas e quantas vezes os slides foram compartilhados e lidos. Ou quantas pessoas adicionaram seus artigos no Mendeley. Medidas simples, atualizadas constantemente, que poderiam ser incorporadas automaticamente na plataforma Lattes, não dependem do preenchimento correto das várias categorias de produção acadêmica e ainda evitam currículos enormes que contém pouco conteúdo relevante.
Nas palavras de Jason Priem, um dos autores de um trabalho bastante completo sobre altmetrics, não podemos confundir o tipo de uso de um artigo que pode ser medido com o uso de fato. Precisamos levar em conta muito mais do que as citações para julgar a importância de um trabalho.
[update] Como lembrou o Karl, vale ler o post dele de 2009 sobre o tema:
http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/07/a_vez_das_revistas_cientificas/
Corrigindo o inglês do artigo – Publieditorial
A Editage é um serviço de correção e tradução de artigos que fui convidado a testar. Justamente quando meu primeiro artigo (como principal autor) havia voltado do revisor, com a observação de que precisava ter o inglês revisado. Oportunidade perfeita.

Eu nunca havia usado um serviço de tradução ou revisão antes, então sinceramente não posso comparar atendimento ou preço com outros, vou apenas descrever o que achei. Também não posso falar nada sobre como funciona o pagamento, vi que aceitam cartão de crédito e Paypal, o que facilita muito, mas não testei esta parte.
O site é bastante intuitivo, e tem quase tudo disponível em português, o que facilita especialmente na parte de descrição dos serviços. – Não que tenha algo contra o português, e concordo que é muito mais fácil escrever um texto na língua nativa, mas sinceramente não entendo como alguém pode escrever um artigo sem conseguir ler em inglês.
Escolhi o pacote mais simples: Revisão Corretiva. Entrei em Orçamento/Registrar e pedi um orçamento para revisão simples, inglês americano e data de entrega em 10 dias, para testar o serviço mais barato. A data de entrega pode ser algo bem flexível, lembrando que serviços mais rápidos são mais caros. Não recomendo deixar para última hora, não só pelo preço, mas por que dependendo do tipo de revisão e do quão extensa ela precisa ser, provavelmente será algo que vai ir e voltar para o revisor antes de ser finalizado e ainda dar um bom trabalho.

Depois de feito meu cadastro, mandei o pedido de orçamento e recebi um email dizendo que seria contatado em uma hora (em horário comercial, não sei se daqui ou da Índia) com a cotação. Meu artigo com cerca de 2700 palavras teria custado pouco mais de $56, o que pessoalmente acho muito barato para um serviço de tradução especializado, sem poder comparar com outros, como já disse. Uma hora depois, mesmo fora de horário comercial, recebi a resposta. Agora era só esperar os dez dias e conferir a correção.

Em uma conversa com o pessoal de lá que nos contatou, fiquei sabendo que eles garantem que o artigo será lido sempre por um especialista da área, com no mínimo mestrado e um artigo publicado, seja qual for a área. Já conseguiram gente para revisar um artigo sobre RPG (!) – o jogo, e não o reparo de coluna. Pois bem, dez dias depois recebo um email avisando que o manuscrito revisado já estava disponível para download. Até então, eu não via muita vantagem em contratar pacotes mais completos, onde o texto pode ser devolvido para o revisor várias vezes para acertos. Mas, quando abri meu arquivo, entendi. Ele estava completamente marcado.
Todo tipo de detalhe foi corrigido. Quilos de “the” “in” “on” e afins acertados, e até nomes de programas e de revistas nas referências foram checados. Termos da minha área, HIV, nomes de genes e proteínas foram acertados e checados (uma das vezes que citei um antiviral o nome estava errado) em um verdadeiro cata-milho. Tenho uma ressalva de um termo bastante específico que escapou: o nome CRF, que se refere a um tipo de vírus recombinante encontrado em vários pacientes, foi convencionado como Circulating Recombinant Form, mas foi corrigido pelo revisor como Circulant, algo que se eu não estivesse atento e familiarizado com os nomes em inglês teria passado. – O que ainda é compensado por vários errinhos corrigidos.
Veredito: vale a pena. Depois de ver a extensão com que o artigo foi revisado, e o tanto de detalhes que o corretor vê, passei a dar muito mais valor para o serviço de correção. Isso no pacote mais simples, não sei dizer sobre os que incluem mais correção ou carta de apresentação para a revista. Independente da Editage, que achei muito prática e fácil de ser usada, recomendo a qualquer autor brasileiro que contrate uma revisão, se puder. Sei que agências de fomento não cobrem esse tipo de serviço (tem que sair do seu bolso), mas no mínimo uma revisão corretiva dá uma tremenda ajuda, e não é cara.
Para completar, o artigo foi ressubmetido com as outras mudanças que os editores pediram, uma análise aqui, arruma legenda ali, e o foi aceito! Está em processo de publicação, e logo devo ter meu artigo em acesso aberto, na PLoS One
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*selo de artigo patrocinado roubado do Papo de Homem
Te vejo na Campus Party 2012
Crédito: campuspartybrasil
Sábado, dia 11/02 às 16:45 estarei no Campus Party em uma mesa redonda do Campus Ciência – Astronomia e Espaço, falando sobre como blogs e outras mídias tratam de ciência na internet (com transmissão ao vivo aqui). Terei o prazer de participar com:
Kentaro Mori – Comparsa de ScienceBlogs e autor do 100nexos e do Ceticismo Aberto, entre outras iniciativas.
Rafael Soares – Vizinho de ScienceBlogs no RNAm.
Dulcídio Braz – Autor do Física na Veia!
Deive Pazos e Alexandre Ottoni, autores do Jovem Nerd e do Nerdcast, que sempre contra com a participação Caio Lúcio, famoso Bluehand.
E a política de acesso aberto no Brasil?
A postura acadêmica a respeito do modelo tradicional de publicação está mudando, e o Brasil poderia se posicionar muito bem em relação a isso.

Toda indústria da comunicação está sofrendo para se adaptar às últimas tecnologias. SOPA, PIPA, e várias outras tentativas de regular esta mudança dão sinais de que a maneira como consumimos informação está mudando. E tudo indica que a área das publicações científicas estava de fora desta mudança. Estava.
Por mais que a maneira como acessamos artigos tenha mudado, conto nos dedos as vezes em que precisei ir à biblioteca para pegar um artigo. Até bem pouco tempo atrás a única diferença na maneira como consumo informação acadêmica estava no acesso. O sistema de distribuição dos artigos impressiona por se manter quase o mesmo. As bibliotecas e instituições ainda precisa assinar pacotes de revistas das editoras – quem aqui ainda assina jornal ou revista? – e mesmo o que encontramos online ainda quase sempre vem no formato PDF, o que transmite a impressão de que se pudessem, escaneariam a página da revista e mandariam a imagem mesmo. Formatos como epub e outros começam timidamente a serem adotados por editoras. A Nature foi pioneira (em 2010!) por lançar um aplicativo para iphones e ipads com conteúdo otimizado, mas nem se ouve falar no próprio formato epub que ela usa em navegadores para desktops.
Ao contrário das outras mídias, onde autores e participantes são remunerados, e muito bem pagos em alguns casos, publicações científicas remuneram bem pouca gente no caminho. Os autores, muitas vezes financiados pelo dinheiro público, não recebem pelo trabalho enviado. Pelo contrário, em alguns casos precisam pagar mais por páginas extras ou figuras coloridas do artigo. Os revisores, também pesquisadores financiados pelo governo, vão investir considerável tempo para ler e avaliar os trabalhos dos colegas, também sem receber pelo que fazem. A mão de obra remunerada fica por conta dos funcionários das editoras que vão formatar e publicar o artigo, de longe a menor parte do processo. Mas, ao final disto tudo, depois que o trabalho é publicado, as instituições públicas, aquelas mesmas que financiaram os pesquisadores e a pesquisa, ainda precisam pagar pelo acesso aos artigos.
E não são valores baixos. Imagine a situação de um paciente que queira ler o trabalho onde foram publicados os resultados do medicamento que ele está prestes a tomar. Se ele não tiver acesso institucional à revista, através de uma universidade por exemplo, precisa pagar em torno de 40 dólares por um artigo de 10 páginas. Sim, 40 dólares por um trabalho que foi produzido, escrito e revisado com verba pública, e não gera um centavo de lucro para quem o produzir, enquanto uma música que remunera do autor à gravadoras custa 0,99 dólares em um site como o iTunes. Valores altos que faziam sentido em uma época onde a edição era o processo mais caro de um artigo, dada a pequena circulação da maioria das revistas, não são mais realistas com a distribuição online.
Enquanto o custo de distribuição dos artigos diminuiu, uma vez que muitos assinantes consomem apenas a versão online dos artigos, o lucro das editoras é impressionante. Segundo Alma Swan, o preço das publicações subiu quatro vezes mais do que a inflação americana nas últimas duas décadas. Apenas em 2010, a editora holandesa Elsevier lucrou $1,16 bilhões em uma margem de 36% da receita, em um ano de crise. E margens de lucro de mais de 30% parecem ser a regra para editoras acadêmicas, levando a considerações sobre o quanto as editoras estariam na verdade atrapalhando a pesquisa.
A reação contra as principais editoras e o acesso restrito e pago ao conhecimento começou a mudar com a criação do movimento Open Access (OA), que provê acesso aberto aos artigos e deixa o custo da edição e manutenção todo por conta dos autores dos artigos ou de financiamento externo. Modelo esse que não é lá tão novo, mas ganhou diversos adeptos desde 2000. Entre eles uma das iniciativas mais bem sucedidas, a Public Library of Science, ou PLoS, lançada em 2001, que embora se manifeste contra o fator de impacto – outro exemplo de monopólio e uma caixa preta de tratamento de dados da editora Thomson – tem ótimos índices para suas revistas (apesar da torcida contra). O Brasil deu exemplo de iniciativa OA com a implementação do Scielo em 1997, e a maioria das revistas nacionais são de acesso aberto.
Ainda se discute se o fato de um artigo ser de acesso aberto aumenta suas citações, em um trabalho publicado em 2011 Philip Davis colocou aleatoriamente 712 artigos de 2533 em acesso aberto e os acompanhou durante 3 anos, vendo que não foram mais citados do que os outros 1821. Mas este mesmo trabalho mostrou que os artigos de acesso aberto são baixados duas vezes mais pelos leitores, provavelmente de outras áreas – já que não houve aumento de citações. Publicar em acesso aberto significa um retorno imediato para o público do investimento feito. Ao invés de precisar pagar novamente para acessar o trabalho que financiaram, os resultados ficam disponíveis para quem se interessar.
Se o cenário das editoras internacionais já não estava tão bom, este ano só piorou. As manifestações vão de críticas bem diretas à distribuição de mais de 18 mil de artigos em um torrent disponibilizado no PirateBay – imagine o estrago que faria um agregador de torrents de artigos que pudesse ser buscado como o PubMed, até na pirataria o mercado acadêmico está atrasado. O estopim se deu no começo de 2012, com a proposta do Research Works Act, um projeto de lei que basicamente acaba com a resolução do NIH de 2008 de disponibilizar para acesso livre toda pesquisa financiada por ele. Segundo a denúncia de Michael Eisen, professor da UC Berkeley e um dos fundadores da PLoS, uma das autoras do projeto de lei, a congressita Carolyn Maloney recebeu 12 contribuições financeiras da editora Elsevier em 2011.
Depois do estrago feito pela denúncia, as tentativas da Elsevier de se justificar acabaram causando a reação contrária ao esperado. Argumentos como os de que a maior parte do trabalho é feito pelas editoras – ignorando a escrita e revisão dos artigos pelos pesquisadores – fomentaram ainda mais a rejeição à editora. Ao ponto que o matemático Timothy Gowers resolveu deixar de submeter e revisar artigos para a Elsevier, e convidou outros pesquisadores a fazer isso e deixar o nome em um site-manifesto, que durante a escrita deste artigo estava fora do ar devido ao número de acessos. As justificativas dele, o preço dos jornais e a venda casada e forçada de títulos inúteis junto de jornais importantes apenas somam ao Research Works Act, e mostram um descontentamento de longa data.
Aqui no Brasil, muito poderia ser feito sobre isso. Grande parte do dinheiro investido em pesquisa é público [obrigado pelo link, Takata], e vem de agências governamentais, que regulam sua aplicação e avaliam os pesquisadores. São exatamente estas agências que poderiam orientar os pesquisadores a publicarem em jornais de acesso aberto. Pelo menos nos casos em que o impacto da revista é similar ao de alternativas de acesso restrito, quando não há alternativa para jornais como Science, Nature, Cell, etc. Economicamente, é uma alternativa que se paga. Por mais que precisem ser pagos pelos pesquisadores, artigos de acesso aberto saem mais barato para serem acessados, enquanto a assinatura de revistas pela Capes gera um custo anual de 40 80 milhões de dólares [valeu, Fábio] e disponibiliza o conteúdo apenas para as instituições credenciadas.
Publicar em revistas internacionais de acesso aberto no Brasil não é algo tão simples. Quem não pode recorrer rapidamente a órgãos como a Fapesp e depende de verba aprovada em longos processos de editais, não chega ao final de um projeto com $1000 a $4000 para pagar a publicação do(s) artigo(s) gerados. – E mesmo na Fapesp á um pouco trabalhoso conseguir a verba para publicar, já recebi a resposta de que uma revista que não é impressa não poderia cobrar custo de impressão, mas acabaram pagando a PLoS. Verba que poderia ser alocada com esta finalidade logo no início do projeto. Mil dólares em um projeto de 20 a 400 mil reais não é um custo alto, especialmente considerando que a publicação do artigo é o maior retorno maioria dos casos. Economizar menos 1% da verba de pesquisa para publicá-la é bastante contraditório, ainda mais quando ele ficará indisponível para o público e precisará ser pago pela Capes para que seja acessado.
Cadê você no ResearchGate?

Conheci ano passado uma rede social com uma proposta bem diferente, o ResearchGate. Bolado pelo virologista e programador Ijad Madisch em 2008, foi pensado como uma rede para comunicação entre cientistas. Para quem já viu o inferno que é achar a carreira de um pesquisador internacional se ele não tiver página própria, é uma ótima saída.
Aqui no Brasil, temos a plataforma Lattes, que é mantida bem atualizada por quase todos os pesquisadores coagidos incentivados pelas agências de fomento, que não aceitam projetos de quem não atualiza os dados. É uma rede exemplar, que muita gente em outros países elogia. Mas não existe alternativa internacional equivalente. Quando o pesquisador não tem uma página pessoal atualizada, depende-se de achar os artigos no PubMed, Google Schoolar e similares, e contar com a sorte de não haver muitos cognatos.

O ResearchGate resolve muito disso. Ainda ajuda com um problema que tive recentemete. Conheci gente competente da minha área no Twitter, queria uma alternativa para compartilhar e discutir artigos, e acabei apelando para o Posterous. Enquanto o ResearchGate é uma solução muito mais cabível. Além de permitir o compartilhamento de artigos na timeline, ainda possui uma ferramenta de blog interno bastante prática – que carece de uma integração com o ResearchBlogging e DOI, que facilitaria muito a busca por citações. Também dei por falta de uma integração com o Rainha Vermelha, como as páginas do Facebook, inclusive para criar um perfil para o ScienceBlogs.

Também tem algo muito legal que é o compartilhamento dos artigos próprios. Sem a formatação dos periódicos onde ele foi publicado, claro, pois trata-se de trabalho acrescentado por eles. Pode se tornar uma excelente fonte de artigos para quem não tem acesso à revista. Não sei se o Google faz a indexação dos pdfs, mas seria ótimo.
Algo que ainda preciso colocar em uso são os tópicos. Uma ferramenta que permite fazer e responder perguntas de áreas de interesse, e pode ser uma boa para interagir com futuros colaboradores
A maior reclamação que tenho – e foi parcialmente sanada pela reportagem da Agência Fapesp, que me trouxe uns 50 seguidores – é a falta de brasileiros. O serviço indica pesquisadores com base em sua área de pesquisa e localização geográfica, e as sugestões que recebi eram de gente bastante distante do que me interessa. Seguir os pesquisadores que mais leio também seria muito bom. Algo normal para uma rede no início, que provavelmente deve ser sanado conforme ela cresce. Para quem quiser me adicionar por lá, meu perfil é este aqui: http://www.researchgate.net/profile/Atila_Iamarino/.
Para organizar e buscar os artigos, especialmente por conta do programa de desktop que ultimamente tem toda a minha biblioteca e anotações, e vai ser fundamental na organização da minha tese, ainda sigo usando o Mendeley. E logo vou precisar contratar espaço.














